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dia da mulherAxééé… quero aproveitar o dia de hoje, 10 de fevereiro, e falar um pouquinho de uma mulher que não somente fez história, mas também modificou a história de vida de muitas pessoas do Candomblé e por que não dizer, de nós umbandistas. Afinal, sabemos que a Umbanda é uma religião tipicamente brasileira, mas que recebe influências de várias outras religiões, principalmente do Candomblé que, por sua vez, tem influência direta do povo africano.

E é sob tantas influências, histórias e vidas que encontramos uma personagem que, caso ainda estivesse nesse plano, estaria completando hoje 117 anos. Falo de Maria Escolástica da Conceição Nazareth, a querida MÃE MENININHA DO GANTOIS, que liderou seu terreiro por 64 anos até seu desencarne aos 92 anos.


Mãe Menininha do Gantois dedicou totalmente sua vida ao candomblé, nasceu “abençoada” para manter acesa a crença de seus antepassados que vieram da África, levou o nome do Candomblé e de seu terreiro – Ilê Iya Omin Axé Iya Massé, que em ioruba significa “Casa da Mãe das Águas” e que ficou conhecido como Gantois – à terras improváveis, à cabeças incrédulas, à fama, ao tombamento do terreiro, mas nem por isso revelou qualquer fundamento de sua religião, nem por isso lamentou ou se locupletou através da fé alheia ou de sua própria crença.

Foi iniciada aos oito meses e iniciou sua primeira filha aos dois anos de idade raspando a cabeça de uma mulher de mais de 30 anos. Com cinco ou oito anos participava ativamente dos rituais de iniciação, muitas vezes até altas horas da noite. E afirmava: “Minha avó, minha tia e os chefes da casa diziam que eu tinha que servir. Eu não podia dizer não, mas tinha um medo horroroso da missão. Era uma consciência absoluta do que me esperava: passar a vida inteira ouvindo relatos de aflições, doenças e lástimas e ter que ficar calada, guardar tudo para mim, procurar a meditação dos encantados para acabar com o sofrimento. Tudo exige abnegação.”

Waldemir Rego, estudioso da cultura afro-baiana, frequentador do Gantois, afirmou que: “Menininha era dona do maior acervo de conhecimento litúrgicos do ritual afro do país” e destacou “ela tornou-se um verdadeiro patrimônio pela devoção aos seus deveres de sacerdotisa, tendo conseguido manter a sua casa de candomblé dentro da maior pureza possível, sem se deixar tragar pela sociedade de consumo”.

Ela foi tão ilustre que as palavras canzuá e ganzuá, que muitas vezes são mencionadas pelos queridos guias espirituais de nossa Umbanda, é uma corruptela de Gantois.

Seu prestígio não se restringiu somente ao sagrado, influenciou importantes intelectuais e pesquisadores, aliás alguns deles se encantaram tanto com a religião e com o carinho de Mãe Menininha que assumiram algumas responsabilidades religiosas como foi o caso de Nina Rodrigues (médico legista, psiquiatra, professor e antropólogo), de Manuel Querino (intelectual, fundador do Liceu de Artes e Ofícios da Bahia e da Escola de Belas Artes, escritor), de Estácio de Lima (médico legista), de Arthur Ramos (médico e antropólogo), de Nestor Duarte (professor da Faculdade de Direito), de Hozannah Oliveira (professor da Faculdade de Medicina da Bahia) e muitos outros que tornaram-se ogãs do Gantois.

Muitos políticos e artistas também não resistiram a todo esse encanto e, antes de qualquer atitude mais expressiva em suas carreiras, iam pedir a benção e os conselhos dessa sábia Mãe.

Jorge Amado afirmava: “Na Bahia existe uma mulher que não possuindo nada, não sendo rica, não tendo nenhum posto, não mandando na política, não sendo cardeal, não sendo revestida de nenhum desses falsos poderes, detém um poder real que provém do povo, provém dela ser uma expressão, provavelmente, hoje, a maior do povo baiano”.

Marlene França, atriz e filha da casa desde 1973, por diversas ocasiões testemunhou a acolhida de Mãe Menininha aos mais necessitados quando mandava: “prepare um banho, bote uma esteira para ele dormir, dê-lhe um prato de comida…”. Marlene garante: “vi pessoas com sérios problemas de drogas ou álcool chegar ao Gantois trazidas pela família e depois de um tempo no terreiro se reequilibrarem, vi muitas coisas boas acontecer nas mãos de minha mãe.”

Maria Bethânia foi levada à mãe Menininha pelas mãos de Vinicius de Moraes e apaixonou-se imediatamente: “ela me recebeu com aquela lindeza. Quando Vinicius entrou, mandou buscar uma cadeira para ele sentar. E, para mim, apontou o chão e me mandou sentar ali. Que maravilhosa! Não me lembro nada mais suave do que ela, só mesmo a expressão de Nossa Senhora”, afirma.


Caetano Veloso definiu-a como “a figura mais importante da religião ioruba no Brasil e, em razão disso, uma das figuras mais importantes na formação da cultura brasileira. Um dos maiores ensinamentos dela foi a superação do medo”.
Dorival Caymmi, que por amor a ela fez a música “Oração de Mãe Menininha”, foi somente mais um entre tantos e tantos outros que se beneficiaram desse presente de Olorum a nós que foi Mãe Menininha.

Um exemplo de mulher, de atitude, de determinação, de amor aos Orixás e principalmente submissão à missão.

Foi uma mulher simples que abraçou de tal maneira a sua fé que acreditava com fervor no poder nascido de seu pacto com os deuses da natureza, da bondade e da justiça. Ela se alimentava dos Orixás, ela vivia os Orixás, ela falava, cantava e dançava com orgulho aos Orixás.

Seu universo era próprio e sua função, obrigação e missão eram claras como as águas de Oxum.

E afirmava:

“Esta obrigação é árdua, não é coisa que se pegue com uma mão só.”
“Quando meu tio pôs sua mão sobre a minha e colocou o axé, a emoção que senti jamais poderei descrever. Chorei todas as lágrimas do meu corpo.”

“É a minha missão. Eu não posso explicar. E o senhor não iria entender.”

“Eu sou muito conformada, é difícil eu me zangar, principalmente com os Orixás. Com eles e com Deus não me aborreço. Tudo que a gente passa é porque tem que passar.”

“Antigamente, nós tínhamos mais fé nos Orixás, mais respeito também. Hoje, mesmo nas pessoas que vêm aqui, eu não descubro aquela fé viva de antes. Para mim, essa gente vem com mais curiosidade do que fé.”

” As separações são muitas, tantas que nem a Justiça toma conhecimento.”

“E sabe por que as pessoas têm problemas hoje? É falta de fé em Deus. E o castigo está aqui na terra. Quem não tem fé só pode ser castigado.”

Mãe Menininha do Gantois

Que essas poucas palavras sirvam de INSPIRAÇÃO para fazermos uma Umbanda Melhor.

Que essa bela canção interpretada por Maria Bethânia, Caetano Veloso e Dona Canô, e toda sua expressão, seus gestos, movimentos e olhares nos ENCANTEM de tal forma que faça nosso olhar se modificar.

E que atitudes como a de Mãe Menininha nos sirvam de EXEMPLO ‘De Vida’, ‘De Verdade’ e ‘De Obra por Amor e Fé’.

Saravá a todos e muito Axé no coração.

Por Mãe Mônica Caracc

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Texto de Etiene Sales

sou-feliz-por-ser-umbandista1Eu sou Umbandista… Mas o que é isso? O que é ser Umbandista?
É não ter vergonha de dizer: “Eu sou Umbandista”.
É não ter vergonha de ser identificado como Umbandista.
É se dar,acima de tudo a um trabalho espiritual.
É saber que um terreiro, um centro, uma casa de Umbanda é um local espiritual e não a Religião de Umbanda em seu todo, mas todos os terreiros, centros e casas de Umbanda, representam a Religião de Umbanda.
É saber respeitar para ser respeitado, é saber amar para ser amado ,é saber ouvir para ser escutado, é saber dar um pouco de si para receber um pouco de Deus dentro de si.
É saber que a Umbanda não faz milagres, quem os faz é Deus e quem os recebe os mereceu.
É saber que uma casa de Umbanda não vende nem dá salvação, mas oferece ajuda aos que querem encontrar um caminho.
É ter respeito por sua casa, por seu sacerdote e pela Religião de Umbanda como um todo: irmandade.
É saber conversar com seu sacerdote e retirar suas dúvidas.
É saber que nem sempre estamos preparados. Que são necessários sacrifícios, tempo e dedicação para o sacerdócio.
É entrar em um terreiro sem ter hora para sair ou sair do terreiro após o último consulente ser atendido.
É mesmo sem fumar e beber dar liberdade aos meus guias para que eles utilizem esses materiais para ajudar ao próximo, confiando que me deixem sempre bem após as sessões.
É me dar ao meu Orixá para que ele me possua com sua força e me deixe um pouco dessa força para que eu possa viver meu dia-a-dia numa luta constante em benefício dos que precisam de auxílio espiritual.
É sofrer por não negar o que sou e ser o que sou com dignidade, com amor e dedicação.
É ser chamado de atrasado, de sujo, de ignorante, conservador, alienígena, louco. E ainda assim amar minha religião e defendê-la com todo carinho e amor que ela merece.
É ser ofendido físico, espiritual e moralmente, mas mesmo assim continuar amando minha Umbanda.
É ser chamado de adorador do Diabo, de Satanás, de servo dos encostos e mesmo assim levantar a cabeça, sorrir e seguir em frente com dignidade.
É ser Umbandista e pedindo sempre a Zambi para que eu nunca esteja Umbandista.
É acreditar mesmo nos piores momentos, com a pior das doenças, estando um caco espiritual e material, que os Orixás e os guias, mesmo que não possam nos tirar dessas situações, estarão ali, ao nosso lado, momento a momento nos dando força e coragem; ser Umbandista é acima de tudo acreditar nos Orixás e nos guias, pois eles representam a essência e a pureza de Deus.
É dizer sim, onde os outros dizem não!
É saber respeitar o que o outro faz como Umbanda, mesmo que seja diferente da nossa, mas sabendo que existe um propósito no que ambos estão fazendo.
É vestir o branco sem vaidade.
É alguém que você nunca viu te agradecer porque um dos seus guias a ajudou e não ter orgulho.
É colocar suas guias e sentir o peso de uma responsabilidade onde muitos possam ver ostentação.
É chorar, sorrir, andar, respirar e viver dentro de uma religião sem querer nada em troca.
É ter vergonha de pedir aos Orixás por você, mas não ter vergonha de pedir pelos outros.
É não ter vergonha de levar uma oferenda em uma praia ou mata, nem ter vergonha de exercer a nossa religiosidade diante dos outros.
É estar sempre pronto para servir a espiritualidade, seja no terreiro, seja numa encruza, seja na calunga, seja no cemitério, seja na macaia, seja nos caminhos. Seja em qualquer lugar onde nosso trabalho seja necessário.
É se alegrar por saber que a Umbanda é uma religião maravilhosa, mas também sofrer porque os Umbandistas ainda são tão preconceituosos uns com os outros.
É ficar incorporado 5, 6 horas em cada uma das giras, sentindo seu corpo moído e ao mesmo tempo sentir a satisfação e o bem estar por mais um dia de trabalho.
É sentir a força do zoar dos atabaques, sua vibração, sua importância, sua ação, sua força dentro de uma gira e no trabalho espiritual.
É arriar a oferenda para o Orixá e receber seu Axé.
É ver um consulente entrar no terreiro chorando e vê-lo mais tarde sair do terreiro sorrindo.
É ter esperança que um dia, nós Umbandistas, acharemos a receita do respeito mútuo.
É ser Umbandista mesmo que outros digam que o que você faz, sua prática, sua fé, sua doutrina, seu acreditar, sua dedicação, seu suor, suas lágrimas e sacrifício, não sejam Umbanda.
É saber que existe vaidade mesmo quando alguém diz que não têm vaidade: vaidade de não ter vaidade.
É saber o que significa a Umbanda não para você,mas para todos.
É saber que as palavras somente não bastam. Deve haver atitude junto com as palavras: falar e fazer, pensar e ser, ser e nunca estar.
É saber que a Umbanda não vê cor, não vê raça, não vê status social, não vê poder econômico, não vê credo. Só vê ajuda, caridade, luta, justiça, cura, lágrima… e bom, mal e bem…Os problemas, as necessidades e a ajuda para solucionar os problemas de quem a procura.
É saber que a Umbanda é livre; não tem dono, não tem Papa, mas está aí para ajudar e servir a todos que a procuram.
É saber que você não escolheu a Umbanda, mas que a Umbanda escolheu você.
É amar com todas as forças essa Religião maravilhosa chamada Umbanda.

Caridade

Publicado: 20/12/2011 em MENSAGENS

Texto de Tacia Izind

 

A caridade não se faz, se pratica. A cada novo dia, a cada hora da vida. Não se leva nada do mundo a não ser a lição aprendida, a sabedoria absorvida, as emoções guardadas e a caridade que se pratica – fundamental para todo aquele que conhece e descobre que a caridade é a fonte da alma que ilumina o caminho. Nenhuma força maior da natureza rompe ou desfaz quem atua com a caridade, pois ela é reconhecida e contemplada, e nada e nem ninguém contraria ou desvirtua este comportamento sereno e firme.

A caridade é a semente de proveito e de resultado, no entanto, não se comercializa, não é gerada à força e nem pela brutalidade. Aquele que vive com a culpa não conhece a caridade, mas sim com a fútil e desagradável ação de fazer, pois deve e se cobra. Aquele prefere bens materiais ou ter atos egoístas, não conhece a caridade, mas sim o bem de consumo, a palavra que negocia a alma em momentos breves e fugazes.

Pare, pense e remonte seus ideais. A semeadura é livre, mas a colheita é obrigatória. Plante sementes de caridade como: dar uma palavra, saber ouvir uma palavra, sentar ao lado de alguém, acompanhar alguém, ter tempo para dividir com alguém, manter uma porta aberta para receber alguém, e para acolher uma alma. Na próxima esquina que passar e surgir um pedido como: “você tem um tempo para mim?”, pense e analise, mas não se afaste.

A caridade é iniciada no lar, acompanha os amigos, os colegas, os dependentes do seu trabalho, os vizinhos e toda pessoa que passar em sua vida. Todos estão ligados a esta força, pois a caridade nada mais é que uma fonte que incentiva, alegra, gratifica e nos torna almas evoluídas e carismáticas.

Abençoado é aquele que pratica a caridade com o coração e a razão, pois tudo no universo é equilíbrio, fonte do ser e do saber.

MENSAGEM: PRECONCEITO

Publicado: 08/05/2009 em MENSAGENS

 
Autoria: Pai Júlio Cezar
Templo Espiritualista do Cruzeiro da Luz
 

Queria falar de uma espécie preconceito que existe, e muitas vezes não damos conta que existe, pois muitas vezes optamos por discutir o preconceito religioso, sendo este de fora pra dentro da nossa religião. Gostaria de adentrar no preconceito umbandístico (se o nome não existe, criei agora, muito embora desde 1908, acredito que deva existir o sentimento).

Há muito tempo, cada de um nós adquire experiências que se encaixam perfeitamente neste tema que estou abordando. É fato lastimável e quesito sustentador que comprova cada vez mais porque é a Umbanda uma religião que, embora linda, ainda seja motivo de galhofa… Mas galhofa porquê? Por que existem aqueles que atiram pedras? Sim, existem… Mas existem aqueles que dão motivo para tal. Talvez haja um culpado, mas se há, de quem seria? Da mídia que em programas de comédia pastelão, em novelas horripilantes, mas de grande audiência, falam do Exu que cobra pra fazer feitiço, da macumba na encruzilhada, da amarração do homem perfeito? É do Evangélico, público fiel que mais cresce no mundo (podem ser o que for, mas é uma realidade)? É do católico? Do Espírita que, em sua grande parte, olha torto para nós, achando que apesar de médiuns, trabalhamos com espíritos xucros e atrasados, viciados em bebida e fumo? Ou dos candomblecistas mal orientados que dizem que a Umbanda, apesar de ser uma ramificação deles (um absurdo), é fraca, pois vê os Orixás como santinhos e nossas mandinguinhas são de arroz doce? Não, a culpa é do umbandista. É ele o maior câncer preconceituoso que existe e depõe contra a própria religião.

É o umbandista vaidoso que, por saber um pouco mais que o outro, o julga ignorante e diz que este faz tudo errado. É do umbandista orgulhoso que, ao ver que o seu irmão de fé, por trabalhar num outro terreiro e, diante disso, seguir as normas do seu Guia Chefe, tacha-o de errado e ignorante, por não fazer o seu ritual dentro da sua cartilha. É o umbandista invejoso que, por visitar o terreiro do irmão e reparar que este conseguiu colocar um piso novo, antiderrapante, enquanto o seu ainda é de cimento, critica-o veladamente, com o rótulo do esnobismo e ostentação. É o umbandista preguiçoso e maledicente que chama o irmão de visionário, só porque ele acredita que tudo deva ter um porque e diante disso, procurou aprender e estudar, enquanto esse acha que os guias fazem e resolvem tudo, enquanto ele apenas incorpora. É o umbandista melindroso que fecha sua cara e solta farpas, também veladas, quando é chamado à atenção por sair da disciplina e ser lembrado que sua conduto é anti-evangélica. É o umbandista irresponsável que acha que pode ir quando quer ao seu terreiro, fazer o que quiser e não dar satisfações aos seus dirigentes, sejam eles encarnados ou espirituais. É o umbandista fanático e radical que acha que "tudo é o santo", não sabe caminhar com suas pernas e vive dependente do que os guias dirão e não admite outros conceitos. É o umbandista babaca que fica criticando seus irmãos, usando de palavras irônicas e rindo das limitações dos mesmos, ironizando suas colocações humildes e de falta de oportunidade de conhecimento que este mesmo babaca teve.

Como diz o Caboclo Ventania (lembrei-me agora das "Sete Lágrimas de um Preto Velho" do Matta e Silva), que ao vermos umbandistas assim, cuspindo no hino da umbanda, a fim de que reflitam não a luz divina, mas o néon de suas vaidades através dos holofotes de sua ignorância espiritual, os seus Guias e os Orixás choram. Choram lamentando por verem seus filhos e tutelados ciscando pela vida alheia, esquecendo-se da sua, não pegando uma minhoca sequer (essa eu já parafraseei o amigo Sr. Malandrinho).

Não estou aqui apontando ninguém, nem me julgando acima de nada, apenas refletindo, pois percebo que muitos umbandistas criaram um dogmatismo pessoal, uma vez que na Umbanda não existem dogmas. Se eu estivesse aqui julgando estaria sendo um umbandista inquisidor, e prefiro deixar o julgo para Quem é de direito, com Toda a Sua Justiça e Lei se aplicando, e ser um umbandista reflexivo, mas atuante, ativo, dentro da minha religião. Quero sim realçar que quando recebemos algo do Alto, iremos ser cobrados… A quem muito é dado, muito será cobrado… Por isso que também existe o umbandista covarde, pois tem medo do compromisso.

Foi apenas uma reflexão sobre este mal que assola pelo mundo e vemos acontecer na nossa Umbanda, tão eclética que respeita e abarca a todos os graus conscienciais dos filhos de fé que a amam. E esse preconceito velado existente, meus irmãos, como diria Aline Barros (cantora evangélica), é tremendo. Só que para ela o "tremendo" é o poder de Deus, que todos temos que concordar… Mas o tremendo a que me refiro é ao porte volumoso de preconceito incubado. É Aline, é tremendo… E tremendo fico eu, de nervoso, quando vejo ignorância, hipocrisia, utilitarismo por parte não dos leigos, mas dos que militam na nossa religião, sendo adeptos ou médiuns.

Axé para todos!

O Movimento Jovem Umbandista

Publicado: 09/12/2008 em MENSAGENS

Por Matheus Zanon Figueira

Começo por destacar o preconceito que nós umbandistas sofremos no nosso dia-a-dia. As brincadeiras de colegas de trabalho, de familiares, de amigos…

A expressão de incredulidade quando expressamos sem vergonha a nossa religião. Sim, eu sou UMBANDISTA! E pronto. Logo começa o rebuliço. E as perguntas fluem.

Admito e concordo que muitas dessas dúvidas são comuns e até consideráveis, mas é cada coisa que se ouve…

E a que devemos toda essa falta de esclarecimento? Todas essas dúvidas que seriam tão fáceis de serem explicadas? A falta de estudo!

Muitos acham que ser Umbandista é só chegar no terreiro, incorporar e pronto. Cumpri minha tarefa.

Mas a Umbanda também é estudo. Estudo para se entender o porquê do caboclo gritar, o porquê do charuto do Exu ou da água e da vela tanto usadas pelos Pretos Velhos. Estudo para se entender a nossa fé.

E aí chegamos a juventude. E sua eterna sede pelo saber (ou ao menos assim deveria ser…).

É fraca a presença e a participação de jovens nos terreiros de Umbanda. Talvez por falta de informação ou até por vergonha de serem taxados de macumbeiros.

Por quê será que os jovens esperam envelhecer para adentrar em um terreiro e às vezes desencarnam jurando que são espíritas e não umbandistas?

Por quê o medo e a vergonha do jovem levantar a bandeira da Sagrada Umbanda? De agradecer a Zambi e desejar a paz de Oxalá?

Sei que a nomenclatura não importa. Seja Deus, Alá, Zambi… Mas porque não usar a nomenclatura própria da Umbanda? Será que é tão difícil o jovem lutar para desmistificar a Umbanda?

A Umbanda é uma religião aberta que permite diversas interpretações. E isso acaba dificultando o estudo.

Estudo para se entender o porquê do caboclo gritar, o porquê do charuto do Exu ou da água e da vela tanto usadas pelos Pretos- Velhos.

Às vezes a corrente que você segue no seu atual terreiro não será a corrente (de pensamento) que será no próximo.

Não existe uma "bíblia" explicitando a prática e os conceitos da Umbanda. Isso varia de terreiro pra terreiro. Mas será que a troca de experiências não nos auxiliaria a compreender melhor a Umbanda?

Não estou propondo aqui uma estilização da Umbanda. Uma unificação de culto. Não!

O que digo é, unirmo-nos em uma frente para acabar com o preconceito, com a falta de estudo e compreensão. E poder oferecer esclarecimento para todos que se interessam por essa linda religião.

Isso é dever de todo Umbandista! Mas deveria ser um desejo especial o jovem. Lutar pela justiça!

Quantas barreiras impostas a Umbanda já não foram quebradas por uma geração anterior a nossa? E o que a nossa geração faz? Nós somos o futuro da Umbanda! Seremos nós que escreveremos os próximos 100 anos de nossa história como religião. Assim como no início.

Ou será que esquecemos que foi um jovem o aparelho utilizado para o advento da Umbanda? E que são os jovens, os jovens de espírito principalmente, que lutaram e lutam para que a nossa religião seja respeitada.

A Umbanda é juventude! Juventude com seu desejo de se impor sem agredir. A juventude com sua vontade de buscar e compartilhar conhecimento.

Então, avante filhos de fé!

Vamos buscar. Vamos partilhar. Vamos vivenciar.

Vamos ser UMBANDA!


 

                 Sabe irmãos, existe algo chamado reforma íntima, mudança interior, não adianta você ir no terreiro vestir o branco, cumprir com os preceitos e não praticar a "Mediunidade" no seu dia-a-dia.

                 Os guias espirituais são paciente, compreensivos com nossas deficiências, mas tudo dentro da Lei Maior tem um tempo e a sua espiritualidade é conduzida e muito bem observada pelos Sagrados Orixás, não pense que estará impune de seus vícios e mazelas.

                  Pode ser que até HOJE você não terá que pagar por seus erros, falhas, etc, mas com certeza um dia TUDO que você fez de NEGATIVO a si mesmo ou aos seus semelhantes será retratado e terá você na carne ou em espírito "esgotar" todo seu emocional.

                 Então porque achar que a Religião Umbanda é só EXTERNA, será que ser Templo Vivo de Olorum não é verdadeiramente a Umbanda Sagrada?

                 Ser um templo vivo é limpá-lo, é retirar, anular, cortar, equilibrar, retratar, redirecionar, respeitar, etc, para só assim depois de muito bem limpo, é que conseguiremos depois de "vazio de coisas negativas" será preenchê-lo de: FÉ, AMOR, CONHECIMENTO, JUSTIÇA, LEI, EVOLUÇÃO E GERAÇÃO.

                  Pois na nossa coroa temos todos os Pais e Mães Orixás que são os Senhores da Natureza, administradores e manipuladores das essências e nos chega através dos sentidos virtuosos, vamos dar exemplos:

  • Uma pessoa vibrando em seu íntimo a Fé será humilde, caridosa, simples, iluminada, etc.;
  • Uma pessoa vibrando em seu íntimo o Amor será compreensiva, amável, alegre, etc.;
  • Uma pessoa vibrando em seu íntimo o Conhecimento será interessada em descobrir e aprender, buscará o seu melhor, etc.;
  • Uma pessoa vibrando em seu íntimo a Justiça será equilibrada, ponderada, justa, etc.;
  • Uma pessoa vibrando em seu íntimo a Lei será leal, ordenadora, amiga, fiel, companheira, etc.;
  • Uma pessoa vibrando em seu íntimo a Evolução será tranquila, agirá com sabedoria, aceitará a doutrina em todos os aspectos de sua vida como um caminho transformador;
  • Uma pessoa vibrando em seu íntimo a Geração será criativa, perseverante, excelente companheira, etc.

                  As irradiações vivas dos Sagrados Orixás o tempo todo e todo o tempo nos amparando, só que quando nós, por nossa responsabilidade, colocamos uma "tampa" em "nossa coroa", em nosso chacra coronal (Ori) deixamos de receber essas irradiações, então será que a culpa é só das pessoas que estão a nossa volta ou você é responsável por todos seus pensamentos, atos…

                 A nossa religião de Umbanda Sagrada têm suas portas abertas, é grande e larga, mas o Tempo e a Lei saberão estreitá-la, pois só os verdadeiros umbandistas de fato conseguirão transportar esta porta pequena e concretizarão e codificarão nossa religião para que ela possa ser a religião como merece ser a religião, onde todos falarão numa só voz:

                 SOU FILHO DE FÉ!
                 SOU UMBANDISTA!

Saravá e um grande abraço a todos!

Autor: Mônica Berezutchi

FIRMEZA DE UM TERREIRO

Publicado: 28/11/2008 em MENSAGENS

 

Muito se tem ouvido falar nos meios umbandistas com relação às firmezas necessárias para um bom andamento dos trabalhos num terreiro de Umbanda.

Logicamente que toda parte ritualística de uma Casa tem razão e função de ser, uma vez que a própria Umbanda tem fundamentos e é preciso preparar os mesmos como é falado em uma curimba de defumação.

Porém, além das firmezas materiais que estão ligadas aos elementos de trabalho dos Orixás, Guias e Entidades e que são catalisadoras das energias necessárias para esses trabalhos, ora servindo como força agregadora de energias positivas, ora desagregando as negativas, há outra firmeza de fundamental importância.

E qual seria essa firmeza?

A firmeza que me refiro meus filhos é a firmeza interior de cada médium de Umbanda.

Mas como se dá essa firmeza?

Se dá através da humildade, do exercício do amor ao próximo e da caridade prestada sem pedir ou esperar nada em troca.

A firmeza interior trabalhada na humildade permite ao médium o esclarecimento de que ele não sabe tudo, que sempre estará em aprendizado pois a Espiritualidade por mais que ensine ainda não deu a palavra final. Dessa forma o médium sempre estará acrescentando ao seu aprendizado ensinamentos novos, iniciando-se assim para ele sempre novas etapas, que devem ser ultrapassadas com muito respeito, amor, dedicação, renúncia e fé.

A firmeza interior pautada no exercício do amor ao próximo fará o médium se ver novamente no lugar do outro que chega na Casa em busca de ajuda, auxílio, esclarecimento e compreensão como o próprio médium chegou um dia.

A firmeza originada na caridade fará o médium entender que não deve julgar quem quer que seja e que muitas vezes ele sofrerá ingratidão e descrédito por parte de algumas pessoas ao verem seus pedidos negados pelas entidades de Umbanda que não barganham e nem trabalham contra as Leis de Deus.

Se hoje meus filhos já caminharam mais um pouquinho, mais motivos tem para buscar o exercício dessa firmeza interior.

Ser médium dentro do templo é muito fácil! O difícil é colocar-se como médium no dia-a-dia onde a sociedade pede muitas vezes uma postura não tão condizente com os ensinamentos de paz, amor e fraternidade deixados pelo Nosso Senhor Jesus Cristo.

Lembrem-se filhos de fé, é através de vossas atitudes que o templo do qual você faz parte será representado, é através das vossas condutas que a Umbanda será mostrada a outras pessoas.

Médium, sinônimo de ponte, meio, instrumento. Que o médium de Umbanda seja um instrumento dócil nas mãos de Pai Oxalá para que assim as bênçãos de amor e luz possam se fazer na Terra.

Fonte: Um Caboclo em Terras brasileiras
Mensagem recebida em 09 de agosto de 2006, por Maria Luzia Leitão do Nascimento
Médium do Templo A Caminho da Paz – Cantinho de Pai Cipriano – RJ
Dirigente do
Cantinho de Pai Firmino – Recife-PE