Arquivo da categoria ‘Estudo 1 – UMBANDA – Conceitos Básicos’


 

Texto extraído do Livro "Umbanda – Mitos e Realidades" de Iassã Ayporê Pery.

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Podemos observar que as pessoas que procuram a Umbanda o fazem, em sua maioria, para resolverem problemas de ordem material, exigindo um resultado imediato,e quando não encontram creditam no Terreiro ou ao Dirigente e Médiuns, quando não a própria Umbanda, o motivo do seu fracasso.

Por que isso acontece? Acreditamos que a culpa disso seja dos próprios umbandistas que não esclarecem que a Umbanda é uma religião digna e nobre como todas as outras, se omitem ou são os primeiros a dar “oferendas” para obterem favores materiais das Entidades.

Por outro lado, sabemos que a Umbanda lida com vários elementos e uma variedade enorme de espíritos, e também que ela tem a capacidade de penetração nos mais variados campos do Astral, conseqüentemente, havendo merecimento e empenho, muito problemas acabam realmente por ter uma “solução mais rápida”, mas somente aos que merecem e o fazem por merecer.

Qual é o mistério da Umbanda? Amor e Caridade, pura e simplesmente. A ritualística que cada terreiro de Umbanda segue, somente serve como um leque de possibilidades para os diversos anseios de culto de cada um. Na verdade, quem procura um Terreiro de Umbanda deveria apenas se preocupar se ela é séria, se não cobra consultas e trabalhos e se tem como objetivo principal a caridade e o Amor ao próximo. Essa é a verdadeira Umbanda.

Sabendo que temos por obrigação sempre buscar o “por que” das coisas e não ficarmos satisfeitos com repostas do tipo “isso é assim porque é” ou “isso é um mistério da fé”, vamos aqui tentar elucidar algumas dúvidas que encontramos por parte da maioria dos freqüentadores e alguns médiuns de Umbanda. Serão perguntas e respostas que escutamos freqüentemente nos terreiros ou fará deles. Não julguem a qualidade das perguntas, porque se pra você a pergunta é simples ou boba, para outro poderá não ser. As respostas sim são simples porque assim é a Umbanda. Então vamos lá:
 
1. Pode uma pessoa praticar o mal sob influencia de espíritos?
Sim pode, tanto quanto pode praticar o bem, também influenciada pelos espíritos. Mas estejam certos de que para que as influencias negativas ou positivas atuem em nossas vidas devemos estar sintonizados com tais vibrações.
Portanto orai e vigiai. Você tem seu livre arbítrio e é o único responsável pelas companhias que atrair, tanto carnais como espirituais, e que permitir atuar em sua vida.
 
2. Todos somos médiuns?
Todos nós somos sensitivos, mas alguns em um grau mais elevado que o outro. Esses diferentes níveis de sensibilidade podem ser compreendidos com diversas formas de mediunidade que está liga a missão que o individua tem aqui na terra. Alguns são médiuns de incorporação, outros intuitivos, videntes, audientes, de efeitos físicos, de pisocofonia e de psicografia, todos passíveis de desenvolvimento de acordo com o livre arbítrio de cada um.
 
3. O Médium quando está incorporado sabe tudo o que está acontecendo e o que a pessoa está falando com a Entidade?
Normalmente sim. A grande maioria dos médiuns é consciente ou semiconsciente como falam, ou seja sabem o que está acontecendo mas não tem ingerência sobre as atitudes da entidade.
Normalmente logo após a consulta o médium ainda lembra de alguma coisa, que vem como “flash”, mas logo depois vão esquecendo aos poucos. Somente médiuns inconscientes é que não sabem o que se passou durante uma consulta, mas é muito raro este tipo de mediunidade.
Mas se a sua preocupação é se você pode conversar qualquer assunto com a entidade que o médium não vai contar pra ninguém, isso aí dependerá da índole do médium e da Casa que ele trabalhe, mas não se preocupe, pois o princípio básico de uma casa de Umbanda séria é o sigilo em respeito às consultas e o respeito com os problemas de cada um.
 
4. Se uma pessoa tem que trabalhar mediunicamente e se a mesma não entrar para um Centro ela poderá receber um guia ou entidades na rua, em casa, no trabalho ou em outro lugar?
Não. Uma Entidade Guia ou Protetora “de Luz” não irá de forma alguma expor a pessoa ao ridículo ou a situações constrangedoras incorporando em lugares públicos. O fato é que se a pessoa é médium, e tem como missão trabalhar mediunicamente e opta por não desenvolver sua mediunidade isso não faz com que ela deixe de ser médium. O que acontece é que sua mediunidade ficará embrutecida e desamparada expondo a ação de espíritos trevosos que poderão, esses sim, manifestarem em locais públicos colocando a pessoa em situações embaraçosas e de risco.
A Umbanda ou outra religião qualquer serve para nosso crescimento moral e espiritual e como um elo de religação com Deus, freqüentar ou participar ativamente de uma deve ser uma opção particular de cada um e não uma imposição.
Devemos saber que pelo fato de termos uma mediunidade mais aflorada nos torna imãs, atraindo toda e qualquer energia que estiver nos ambientes aos quais freqüentarmos, o desenvolvimento dessa mediunidade, se faz necessário para aprendermos a lidar com essas energias e controlar as manifestações e termos a oportunidade através do trabalho mediúnico de resgatarmos nossos kármas e compromissos assumidos antes de reencarnarmos.
Negar e fugir disso não nos levará a nada, é claro que existem outras formas de praticarmos a Caridade, trabalhar mediunicamente deve ser uma opção e não uma imposição. Cada um com seu Kárma, missão e vontade.
 
5. É verdade que a pessoa que entra para trabalhar na Umbanda não pode mais sair, porque atrasa a vida?
Não, não é verdade. Como também não é verdade que a vida da pessoa em questão vai pra frente se ela entrar para a Umbanda.
O que ocorre é que ao entrar para a corrente de um terreiro de Umbanda a pessoa passa a dar vazão e a desenvolver sua mediunidade, assume compromissos e responsabilidades, se tranqüiliza e se harmoniza vibracionalmente e evolutivamente, ou pelo menos deveria.
O “atraso na vida” da pessoa ocorre porque ela deixa de se equilibrar, evoluir e fazer caridade. Conseqüentemente ela deixa de ter tranqüilidade para resolver até o mais simples dos problemas. Mas isso ocorre porque a pessoa saiu do Terreiro, mas não deixou de ser médium e continua recebendo influência do Astral. E se ela não continuar com suas responsabilidades em ter uma vida regrada, de conduta ilibata e não praticar a caridade de alguma forma, receberá maior influencia do Astral inferior, segundo a Lei das afinidades.
Que fique bem claro que não é o ingresso da pessoa ou a sua permanência na Umbanda, ou qualquer outra religião, que fará com que a vida da pessoa “ande pra frente” ou que todos os problemas dela se resolverão. Temos que ter a consciência de que é a sua conduta moral, seu desejo de praticar a caridade, de ajudar ao próximo, de buscar sua evolução é que será determinante se ela vai melhorar ou não, é uma questão de merecimento pessoal. A Umbanda através de um Terreiro sério lhe dará a oportunidade, o conhecimento e o meio, cabe a pessoa abraçar ou não.
 
6. É, mas uma vez eu ouvi um médium dizer que se ele abandonasse as entidades o castigariam? Isso é verdade?
Não, a entidade não faria isso. Certamente era o médium que em suas limitações de conhecimento entendia assim. Na verdade o que muito provavelmente aconteceria, se fosse em um Terreiro sério e com entidades sérias, a Entidade faria era aconselhar e alertar o médium quanto ao perigo que ele estaria sujeito ao abandonar a Umbanda ou seu compromisso mediúnico.
Entidade Protetora ou Guia, não bate ou castiga seu médium, ela respeita a sua opção e o livre arbítrio que lhe foi outorgado por Deus. Ele não tem ingerência sobre isso.
Como dito anteriormente, o médium ao se afastar do seu compromisso mediúnico ou do terreiro, não deixa de ser médium por isso, de acordo com o que faça da sua vida a partir daí é o que vai justificar sua nova condição, se fizer coisas boas continuará recebendo boas influências, mas se levar uma vida desregrada receberá influências negativas ou ruins.
A Umbanda, tão pouco seus guias e protetores, não têm função de nos punir e sim de orientar e amparar.
 
7. O que é um “guia de frente”?
É a entidade que chefia a coroa do médium, é representante direto de seu Orixá Regente. É responsável em comandar todas as entidades e guias que trabalhem na coroa do médium ela traz as orientações e ordens diretas do Orixá Regente. São também conhecidas como mentores. Em alguns terreiros pode ser também um Preto-velho ou um Caboclo.
 
8. Pode duas ou mais pessoas receber entidades com o mesmo nome?
Certamente que sim. Aliás isso é bastante comum de acontecer da mesma maneira que encontramos pessoas com o mesmo nome.
Podemos observar várias entidades se identificando como: Caboclo Rompe Mato, por exemplo, isso não quer dizer que é a mesma entidade ou o mesmo espírito, e sim entidades que trabalham em um mesmo campo vibracional.
Na verdade se paramos para pensar realmente, o nome é o menos deve importar, mas sim o grau de comprometimento com a caridade.
 
9. Como é o desenvolvimento de um médium Umbandista?
Embora esta questão seja bastante específica e a resposta varie de terreiro para terreiro, como a maioria das questões sobre ritualística e fundamentos, vejamos alguns pontos que devem ser observados.
a) É fundamental uma avaliação minuciosa do médium com relação a Umbanda e suas próprias aspirações. É de suma importância que ele esteja certo de que é isso que deseja para si e para sua vida, que entenda que a Umbanda é uma religião que o ajudará na sua evolução através da Caridade e não é para resolver seus problemas.
b) A casa que ele escolher para realizar este empreendimento deve estar o mais próximo do que ele acredite, entenda e queira para si. É fundamental que seja uma casa séria e comprometida com a caridade, ou seja, que seja realmente de Umbanda.
c) As diferentes ritualísticas da Umbanda servem exatamente para atender as diversas aspirações. Por isso antes de qualquer coisa ele deve freqüentar a assistência assiduamente, observar, envolver-se e estudar até ter certeza que ali é o seu lugar.
d) Cada casa tem um critério para se fazer parte da corrente, procure saber qual é. Ao entrar para a corrente deverá seguir rigorosamente as orientações do Dirigente e da Entidade chefe ou das pessoas a sua ordem.
e) Entender que nãos será umbandista dos portões para dentro do terreiro, mas sim de coração, corpo e alma. Deverá dedicar-se, educar-se, doutrinar-se seguindo as orientações recebidas, que sua conduta moral deverá ser constantemente vigiada.
f) Participar de todas as seções que esteja, abertas aos médiuns novos, estudar e se dedicar com afinco, buscando sempre melhorar seus pensamentos, desejos e vontades. Buscar constantemente a evolução espiritual e moral, para assim poder preparar o seu corpo e mente para ser um bom instrumento para as Entidades Protetoras e Guias.
Buscar tudo isso irá facilitar a incorporação e o desenvolvimento de sua mediunidade, se entregue de corpo e alma, sem medo. É essencial lembrar que é um momento de adaptação, onde tanto médium quanto entidade estarão se afinizando. Não tenha pressa, o tempo que você levará para incorporar, dar passes, dar consultas, só dependerá de você mesmo, de sua dedicação empenho e preparo seguindo as orientações que lhe forem passadas.
 
10. É verdade que homens que trabalham com entidades femininas são Gays ou podem se tornar?
Não, não é verdade. O que determina a preferência sexual de uma pessoa é ela mesma e não a entidade, aliás ninguém tem ingerência sobre este assunto, isso é um pensamento machista e preconceituoso, a Umbanda não coaduna com pensamentos retrógrados. Ninguém vira ou se torna homossexual, ou ela é ou não é, isso é uma característica dela e deve ser respeitado O médium é um medianeiro, um aparelho para a espiritualidade trabalhar pela expansão da caridade, assim sendo a entidade não interfere na personalidade do médium, senão todos que incorporarem Ogum serão guerreiros, e quem trabalha com todas as linhas sofre de personalidades múltiplas. Então se for assim mulheres também não podem trabalhar com entidades masculinas pois se tornarão lésbicas.
Temos que mudar esta mentalidade e acabar com o preconceito dentro dos Terreiros. A Umbanda tem lógica e coerência, o que deve realmente interessar não é a preferência sexual do indivíduo, mas o quanto de caridade e amor a pessoa tem para fazer e dar, o quão dedicado a espiritualidade ela o é, e o quão envolvido com o astral superior ela esteja.
 
11. Como funciona a hierarquia dentro de um terreiro de Umbanda?
Dentro de um terreiro de Umbanda deve existir organização e disciplina. E para manter essa organização e disciplina deve existir também um sistema hierárquico. Alguns Terreiros dividem-se em parte administrativa e espiritual.
A parte administrativa funciona como uma associação normal, com Presidente, Tesoureiro, Secretários e outros cargos que possam vir a serem úteis na composição de seu estatuto. Já a parte espiritual é comum ser dividida da seguinte forma:
a) Babalorixá e Ialorixá: São os Dirigentes do terreiro, o Sacerdote (Babalorixá) ou a Sacerdotisa (Ialorixá). É o Responsável espiritual por tudo que acontece nas gírias, antes, durante e depois. São também chamados de pais e mães-de-santo. Eles têm a função de cuidar e zelar espiritualmente do Terreiro e dos médiuns, orientar e dirigir os trabalhos abertos e fechados ao público. São os responsáveis em fazer cumprir as diretrizes estabelecidas pelo astral superior.
b) Pai Pequeno e Mãe Pequena: São as segundas pessoas na hierarquia de um terreiro. Tem como função auxiliar e substituir quando necessário o Babalorixá e a Ialorixá. Outras funções específicas variam de terreiro para terreiro.
c) Médiuns de Trabalho: São os médiuns que trabalham incorporados, cujas entidades já dão consulta e já passaram por todos os preceitos do terreiro, que também variam de Terreiro para Terreiro.
d) Médiuns em Desenvolvimento: São Médiuns que como o nome já diz, estão em desenvolvimento, ainda não passaram por todos os preceitos da casa. Em alguns Terreiros ele podem dar passes, já incorporam uma ou outra linha de trabalho, mas não são autorizados a dar consultas. Estão sendo preparados para tornarem médiuns de Trabalho. Ajudam no auxílio as entidades incorporadas.
e) Cambonos: São os responsáveis para auxiliar as entidades, esclarecer a assistência quanto as obrigações passadas, coordenar a entrada da assistência nas consultas e passes.
f) Curimbeiro, Tabaqueiro ou Ogã: É a pessoa responsável pela puxada dos pontos cantados e bater ou tocar o atabaque, quando utilizados pelo Terreiro. Sua função é a de ajudar na evocação das entidades e auxiliar a manter a agrégora positiva da Casa durante as seções.
Deixemos bem claro que todas as funções são importantes dentro da organização de um Terreiro e nenhuma é melhor ou pior que a outra, o respeito e a disciplina deve sempre ser elementos básicos da convivência entre todos, deve-se tomar muito cuidado com a vaidade e a inveja, sentimentos que devem ser sempre repudiados por todo e qualquer umbandista.
 
12. O que pode ou não dentro dos rituais praticados nos Terreiros serem considerados de Umbanda?
Podemos observar a enorme confusão que as pessoas fazem em relação ao que faz ou não parte dos rituais da Umbanda e o que faz um terreiro serem considerados de Umbanda.
Em primeiro lugar a premissa básica para que se determine que um terreiro seja UMBANDA é a caridade que se pratica no local. Não podemos confundir fundamentos com elementos de rito ou culto. Em primeiro lugar é fundamental estabelecermos algumas premissas básicas para o perfeito entendimento a respeito da diferenciação do que seja “fundamento” de “elemento de rito”.
Fundamento: é tudo que existe velado ou não, dentro do terreiro que “fundamenta” e direciona seus trabalhos. Estabelece suas linhas de força trabalhada e cultuada, assim como a missão da Casa. Ou seja, interfere e determina o resultado final dos trabalhos realizados. É estabelecido pelos Dirigentes espirituais. Exemplo: firmezas ou pontos de força estabelecidos no Gongá.
Elemento de Rito: é tudo que existe, velado ou não, presente ou não, que não interfere no resultado final dos trabalhos e nem na missão da Casa. É estabelecido pelo sacerdote.
Entendido isso vejamos então o que determina realmente se um terreiro é de Umbanda ou não?
a) Na umbanda o atabaque é elemento de rito, ou seja, a presença ou não do atabaque NÃO interfere no RESULTADO final do trabalho. A gira pode ficar, e fica mesmo, mais alegre, mais “vibrante”, mas o resultado final é o mesmo. As entidades incorporam e fazem seu trabalho da mesma maneira.
b) As roupas (saias rodadas, etc.) são elemento de rito, o fato de serem brancas é que é fundamento, ou seja, se as mulheres trabalham com “baianas” rodadas ou sem roda, ou de jalecos não interfere no resultado final do trabalho. As roupas coloridas podem ser usadas em giras festivas. Vai da preferência do sacerdote.
c) Sacrifício de animal não é fundamento e muito menos elemento de rito da umbanda, entretanto é e tem fundamento em outras religiões.
 
Esses simples exemplos servem apenas para ilustrar, pois é tão fácil e simples saber ou detectar se um terreiro é de umbanda ou não. Há caridade? Não há cobrança por trabalhos, consultas ou passes? Não há sacrifício de animais? Então é umbanda. Fácil, não? O resto, ou quase tudo, é elemento de rito.
 
13. Qual a necessidade ou a importância do uso de roupas brancas?
A “Roupa Branca” usada pelos médiuns nos rituais de Umbanda, deve ser tratada de maneira especial e usada exclusivamente para este fim.
Ela representa a pureza e a simplicidade, além do branco ser uma cor que absorve a vibrações mas não as retém.
 
14. Qual o objetivo dos banhos de ervas?
Tem ervas que são para descarrego, outras para energização e outras com ambas as funções, outras simplesmente preparatórias para algum tipo de trabalho.
Dependendo da necessidade o médium ou o consulente, tomará seu banho de ervas objetivando sempre uma boa harmonização com as forças da natureza, para a consecução dos objetivos propostos.
Os banhos de ervas necessitam de uma ritualística preparatória e não devem ser tomados indiscriminadamente, só devem ser tomados sob orientação da Entidade ou do Dirigente do Terreiro ou de pessoas a sua ordem, pois sem o conhecimento específico do problema e do objetivo a ser alcançado, o banho pode ter efeito contrário. Por exemplo se a pessoa tiver agitada demais não deverá tomar banho de ervas Ogum ou Iansã, pois poderá ficar mais agitada ainda.
 
15. Porque batemos a cabeça no gongá?
O “bater a cabeça” é um gestual que representa humildade e respeito, é uma ato de oferecimento de seu Ori (coroa), de reverencia e agradecimento à Coroa Regente da Casa e de pedido de benção.
 
16. E os colares na Umbanda?
Os “colares”, os quais chamamos de “guias”, são utilizados para auxiliar fixação da vibração do Orixá e tem a função de atração ou proteção.
Utilizar ou não, a quantidade de contas e quanto o tipo varia de Terreiro para Terreiro conforme a orientação da Entidade Chefe ou do Dirigente. Mas elas não devem ser compradas, pois devem ser preparadas pela própria pessoa segundo os preceitos de cada casa.
 
17. Na Umbanda não existe sacrifícios de animais? Mas já vi terreiros que praticam esses rituais, então eles não são Terreiros de Umbanda?
Não, não são terreiros de Umbanda. A Umbanda anunciada e fundada como culto pelo Caboclo das 7 Encruzilhadas não tem a prática de sacrificar animais.
O que precisa ficar bem claro é que Terreiro que pratica sacrifícios de animais, seja para iniciações, descarrego, oferendas ou qualquer outra coisa, não é um terreiro de Umbanda, mas sim outra forma de culto que não nos cabe discorrer sobre.
 
18. Porque fazer firmeza para Exús e Pombas-gira?
Exús e Pomba-giras são nossos guardiões e defensores dos ataques do astral inferior. Ao fazermos firmeza para eles estamos fornecendo pontos de energização e fixação de energia que visam a facilitar este trabalho.
 
19. Como é o trabalho de um Exú e uma Pomba-gira?
Como já vimos Exús e Pombas-gira trabalham para nossa defesa e proteção. Atuam nas regiões umbralinas ou onde sua presença se fizer necessária. São verdadeiros soldados do astral envolvendo os trabalhos de defesa com sua energia equilibradora.
 
20. Qual é a importância de uma gira de Exús?
As giras de exus servem para expurgar, descarregar, encaminhar, limpeza do terreiro, dos médiuns e de todos os trabalhos de desobsessão do mês.
Servem também para oportunizar a estas entidades maravilhosas, através da incorporação e da consulta, sua evolução e na busca de conselhos de assuntos mais de terra.
Não podemos esquecer que eles é que dão o primeiro combate contra as forças trevosas, são eles que nos defendem, que representam e levam as ordens dos enviados de orixás aos níveis mais baixos da crosta, são eles os executores dos kármas, que limpam, descarregam e atuam como elementos magísticos no desmanche de trabalhos de magia negra.
 
21. Porque algumas entidades na Umbanda bebem e fumam?
A Umbanda, seus médiuns, os espíritos que nela trabalham e, em particular, os espíritos que trabalham na linha de Exu são alvos de muitas críticas devido ao uso da bebida alcoólica e do fumo durante seus trabalhos.  Essas críticas baseiam-se no conhecimento, com o qual concordamos plenamente, de que o vício e a mediunidade responsável são incompatíveis.
Por isso, a Umbanda é comumente associada a espíritos ainda muito apegados à matéria e/ou a médiuns despreparados e de precária estrutura moral. É claro que temos entidades que por estarem em um plano ainda próximo ao da terra guardam os vícios de uma encarnação recente, bem como médiuns que se utilizam das entidades para se embriagarem. Mas isso não é regra, não é porque uma entidade bebe e fuma que ela é um espírito inferior, o fumo e a bebida também fazem parte da caracterização da entidade e ajuda na comunicação entre a entidade e consulentes que associando, por exemplo, um preto-velho que fuma cachimbo ou um Exu que bebe marafo como legítimos e, portanto, dignos de confiança e respeito.Muita das vezes, mesmo pessoas cultas podem levantar dúvidas quanto à legitimidade da comunicação mediúnica quando ela não envolve o uso desses instrumentos de caracterização da entidade (nos quais se incluem, também, a mudança de voz ou de postura física do médium, embora esses elementos tenham suas devidas funções, como se explicará melhor em outra oportunidade).  Essa caracterização das entidades é fundamentada em processos culturais desenvolvidos desde os tempos antigos e presentes no surgimento da Umbanda e facilitam que o médium iniciante reconheça e assimile a personalidade da entidade, permitindo que a entidade se expresse sem maior influência da sua personalidade, já que o médium se torna mais flexível a uma realidade psíquica estranha à sua.
Dentro do conceito elemental, o fumo é uma defumação direcionada, que traz além do vegetal, os quatro elementos básicos (terra, água, ar e fogo) para trabalhos de magia prática. O Sopro por si só traz efeitos terapêuticos e espirituais muito valorosos e eficazes nos trabalhos de cura e limpeza, que somado ao poder das ervas é potencializado muitas vezes em resultados largamente vistos durante os trabalhos de Umbanda. Já o Álcool é do elemento água, provindo de um vegetal (a cana), que se sustenta na terra, altamente volátil no ar e considerado o "Fogo líquido", de fácil combustão. Tanto o Fumo quanto o Álcool são utilizados para desagregar energia negativa, queimar larvas e miasmas astrais, e no caso do Álcool para desinfetar e limpar no externo e no interno já que pode ser ingerido.
O fumo, Tabaco, o álcool são considerados um "Elemento de Poder", usados há milênios pelos povos indígenas, considerado sagrado com larga utilização em seus trabalhos de cura.Tudo que é sagrado traz o divino e as virtudes para nossas vidas, sempre que profanamos algo sagrado atraímos a dor e o vicio. Assim o mesmo tabaco e o álcool que cura em seu aspecto sagrado também vicia e traz a dor quando utilizado de forma profana.


 

Aprendemos que todos são de certa forma médiuns, mas também que nem todos sentem ou demonstram sua mediunidade; eoutros até que a encaram como caso de doenças psicóticas.

Então, você se acha um maluco por sentir, ou ver ou até mesmo conversar com pessoas ou outras entidades que só você percebe? Seriam essas pessoas que não têm essa percepção, mais “normais” que você?

Digamos então que você chegasse em uma cidade que só existam pessoas totalmente cegas e que nunca tivessem tido contato com o restante do mundo. Chegando lá, percebendo isso, você resolve falar a algum deles sobre a maravilha que são as cores das flores, das árvores e do céu. O que deveria pensar esse ser que nunca as viu ou verá? Que você é maluco, certo?

Deu pra entender agora?  Será que por não se ver, pode-se afirmar que algo não acontece, que o mesmo não exista? E as ondas AM ou as ondas FM provenientes de estações de rádio? E as de VHF e UHF que nos trazem até as imagens da televisão? Ah, mas aí a gente vê o efeito delas quando ligamos certos aparelhos, aqui no caso o rádio e televisão. Então, mesmo não as vendo fica provado que elas existam, certo?

 Imagina coce, que até bem pouco tempo atrás, quem dissesse que seria possível a transmissão e recepção a longas distâncias de ondas sonoras era considerado maluco. E quando o rádio apareceu os “malucos” deixaram de sê-lo, se “curaram” e foram chamados Cientistas.

A mediunidade, que cada ser humano traz consigo, faz na realidade com que ele seja um transmissor e receptor de outros tipos de ondas energéticas que não só as sonoras ou as elétricas e, dessa forma, cada ser humano com maior ou menor capacidade de receber ou enviar essas ondas, pode perceber mais ou menos do que acontece em Planos Vibratórios menos densos que o nosso.

Aliás, os rádios e televisões também sofrem essa restrição. Veja por exemplo que nem todos estão preparados para receberem ondas curtas, no caso do rádio ou UHF no caso das televisões, necessitando de aparelhagem ou circuitos adicionais para que o consigam.

Vamos esquecer nosso corpo físico por uns instantes, e encará-lo como um receptor e transmissor de certos tipos de ondas que os aparelhos já fabricados, a não ser a fotografia Kirlian1, ainda não conseguiram captar, o que talvez as faça daqui a algum tempo mais, quem sabe?

Se você conseguir ver ou imaginar que, além ser um ser pensante, que seu corpo é um aparelho que sofre as influências das mais diversas formas de ondas energéticas como a luz, calor, ondas magnéticas, de televisão, de rádio e muitas outras, inclusive estas que os aparelhos comuns não conseguem perceber, então estará começando a entender. Se entender também que esse corpo físico que está usando agora, nessa encarnação, é como uma “vestimenta” para seu verdadeiro EU espiritual, então estará entendendo ainda mais o que vamos tentar explicar.

Agora veja bem, sabemos que em nosso corpo existem vários Chakras2 e que na cabeça fica o Chakra Coronário que funciona como se fosse uma ANTENA, certo? Só que essa antena, a despeito do que possam afirmar, serve tanto para recepção como para transmissão de ondas em uma faixa de freqüência não percebida ainda pelos aparelhos eletrônicos.

Então comecemos por aí a análise do seu corpo ou APARELHO MEDIÚNICO, como algumas entidades o chamam. Olhe para seu corpo, de frente, e imagine, se não puder ver, uma coroa de energia que se expande do centro da cabeça para cima e para os lados, para frente e para trás. Essa energia que se irradia tem como base uma faixa vibratória, digamos que vibre bem entre 1.000 e 1.500 ciclos por segundo, ou 1000hz a 1500hz, ou 1khz a 1,5kHz – não esqueça que é uma situação hipotética pois não existem aparelhos para medir a vibração padrão de um Chakra – nesse caso, entidades e/ou energias que vibrem ou atuem dentro desse padrão estarão afinadas com esse Chakra e, num caso de incorporação, por exemplo, quase não afetarão o seu sistema nervoso.

Se no entanto, se aproximarem de você, entidades que vibrem a menos de 1000 ciclos, faixa vibratória mais baixa que a sua, ou a mais que 1500 ciclos, padrão vibratório mais alto que o seu, tentarem entrar em contato mental com você, ou terão que elevar seu padrão vibratório, no primeiro caso, ou diminuí-lo, no segundo caso, para que possam atuar dentro de sua faixa vibratória.

Sabemos que no Astral há espíritos mais evoluídos que você e menos também, e que em decorrência disto, estaremos sempre recebendo influências energéticas maiores e menores, como esse Chakra de nossa hipótese, que só consegue variar seu padrão entre 1000 e 1500 Hertz, ou ciclos por segundo. Em estado normal ele não perceberá nem entidades que atuem a menos nem a mais, para isso terá que passar por treinamentos a fim de poder expandir sua FAIXA VIBRATÓRIA, freqüências entre a menor e a maior com as quais poderá interagir, e com isso passar a alcançar, de acordo com os objetivos propostos, maiores e menores freqüências.

E qual seria o objetivo dessa expansão da Faixa Vibratória?

A expansão para baixo não é comum. Só serviria para que o médium começasse a receber bem, as influências dos mais baixos astrais, mas a expansão para cima serviria para que alcançasse a freqüência de energias e de entidades menos densas e mais evoluídas, por conseguinte, que, como se sabe, são do mais alto Padrão Vibratório.

Essas diferenças entre as freqüências em que vibram as entidades espirituais e a do encarnado em questão se explicam também, de certo modo, aos desconfortos que se sentem às vezes quando há uma aproximação de certas entidades, mesmo não havendo incorporação. A simples presença de certas entidades de padrão vibratório muito diferente do dele, causa como que um “choque vibratório”, fazendo com que seu sistema nervoso sofra de alguma forma e produza sensações bastante desagradáveis.

Mas não é só a aproximação de entidades de baixo padrão vibratório, consideradas inferiores, que pode causar esses danos não. Também a presença de “medalhões espirituais” o faz, porque não se trata de influência de baixa ou alta freqüência ou de entidades mais ou menos evoluídas, mas do fato do encarnado em questão não estar preparado para ampliar ou baixar seu próprio padrão e com isso evitar o CHOQUE DE VIBRAÇÃO, este sim o causador de todo mal estar.

O que estamos afirmando aqui é que, embora as entidades espirituais sejam seres que conosco se comunicam, elas o fazem sempre através da sintonia das freqüências com que o médium está acostumado, ou seja, para que haja uma boa comunicação, uma boa vidência ou uma boa clariaudiência por exemplo, será preciso que o médium saiba ou possa ter sintonizadas as suas antenas, seus Chakras, para as freqüências em que vivem ou vibrem essas entidades, caso contrário, você vai ficar dizendo que elas não existem, entendeu?

É tão grande o universo de energias que não podemos ver, ouvir e mesmo sentir; esse número é tão maior que ficaria pasmo em saber o quanto somos restritos em relação às diversidades de energias que nos circundam, isso em nosso estado normal, hoje em dia uma grande parte delas já são relativamente conhecidas pela Física.

A sensibilidade que promove o contato com energias e seres que vibram em freqüências baixas e mais altas é o que chamamos de percepção extra-sensorial (PES), esta a qual todos aqueles que tiveram sua mediunidade aflorada, seja por que meios tenham sido, são portadores.

Assim como temos percepções em vários níveis, podemos dizer que temos mediunidade em vários níveis também. E mais ainda, que essa percepção desde que tenha aflorado, pode ser trabalhada para que se sintonize com Planos Vibracionais cada vez mais elevados, de onde se podem tirar realmente ensinamentos mais e mais profundos em relação à nossa situação neste planeta e os meios de alcançarmos melhores os objetivos em nosso rumo à EVOLUÇÃO.

Quando você age como um médium passivo, apenas deixando que as entidades o dominem e façam seus trabalhos através de seu corpo físico e de sua mente, estará funcionando apenas como “cavalo de guia”, não que isso seja um demérito para você ou para qualquer um mas, agindo sempre assim, estará se acostumando a “funcionar” apenas dentro de uma faixa vibratória específica às entidades que com você trabalham ou que usam seu corpo para tal. A menos que você tenha entre essas entidades, uma mais evoluída, que trabalhe o seu “aparelho mediúnico” (Chakras) visando melhorar mais e mais sua percepção e sensibilidade para outros Planos, você nunca vai perceber esses outros planos e as entidades que existem nele, que não são percebidos nem pelas entidades de menor vibração.

Mas agora vamos dizer que você, entre as entidades que trabalham naturalmente, tenha esse desenvolvedor e que ele pertença mesmo a planos mais evoluídos de existência e que trabalhe, ainda sem que você perceba, nessa sua mediunidade a fim de poder colocá-lo futuramente, em contato com VERDADEIROS GUIAS e MENTORES espirituais, parabéns você é um médium de sorte. Mas, mesmo assim, o que custa você lhe dar uma “mãozinha” e se esforçar um pouco por você mesmo? Se você percebeu o que mostramos até aqui e quer melhorar mesmo seus dons mediúnicos, então comece pelo que faz ainda dentro do Terreiro.

Primeiro ponto a ser observado: Ao chegar no Terreiro para um dia de trabalho, isso depois da preparação que deve ter sido feita antes, com banhos e etc., evite aquelas conversas sobre assuntos do dia a dia, seus problemas, suas amarguras, ou mesmo as amarguras dos outros. Busque desde a sua chegada entrar em contato com as energias que ali existem e que foram criadas por todos que ali freqüentam.

Para tal, prefira o silêncio aos papos desnecessários, a introspecção, observação de seus próprios processos mentais, ao invés de ficar observando o comportamento alheio, mesmo que de irmãos de corrente seus. Cabe ao Dirigente verificar se estão ou não em acordo com o que pretende o Terreiro e seus Mentores Espirituais. Nesse estado de introspecção, de preferência de olhos fechados, o que ajuda bastante, tente ir sentindo, não o que ocorre a seu lado fisicamente, mas “no ar”; a seu lado; espiritualmente.

Relaxe o mais que puder e tente com isso, abrir ou expandir sua Aura em volta de todo o seu corpo, para que a sensibilidade para outros planos seja facilitada. Você pode, durante esse processo, já ir tentando contato com suas entidades protetoras e guias, ainda que sem incorporações, através de orações por exemplo, apenas para que elas se acheguem a você e estejam tão próximas quanto possível durante todo o tempo de Gira.

Faça isso e, talvez não consiga na primeira ou segunda vez, mas chegará a um ponto em que sentirá a presença deles quase que fisicamente, se bem que alguns prefiram se fazer notar transmitindo-lhe mentalmente, ou seu Ponto Cantado ou alguma coisa mais que os identifiquem. Só você é quem vai, na medida em que isso for sendo “treinado”, sentindo mais e mais. E veja bem: isso deve ser praticado antes mesmo de se iniciar a gira.

Saber usar a agrégora, energia padrão do Terreiro, com a finalidade de melhorar seus dons é coisa que poucos fazem, acontece que essa agrégora, sendo forte, facilita esse intercâmbio entre você e o Mundo Astral que circunda seu Terreiro através dos vínculos que essa agrégora tem com todas as entidades que ali trabalham.

Não podemos aqui expressar em quanto tempo cada um vai sentir e/ou ver melhor o que ocorre “do outro lado” ou mesmo “dar melhores incorporações” porque isso vai depender de cada um e de seu próprio esforço nesse sentido, mas que essa simples mudança de comportamento antes das seções pode melhorar acentuadamente todos os seus processos mediúnicos, disso você pode ter certeza!

Começando a Seção, mantenha-se o mais possível, em estado de relaxamento mental, tentando mentalizar o que cada Ponto Cantado diz. Os Pontos Cantados têm, como objetivo primeiro o de desviar a atenção dos médiuns dos problemas que o envolvem no dia a dia e concentrar suas mentes nos rituais que vão se proceder. As letras dos Pontos Cantados, de uma forma geral, nos induzem a imagens de seres,situações e locais que fortalecem nossas crenças e nos dão a certeza de estarmos bem assistidos por nossos amigos e mensageiros, mas isso em se tratando de Pontos Cantados mesmo, com fundamentos.

Agora vamos expor as vantagens desse trabalho mental voltando sempre sua mente para o que está ou deveria estar acontecendo no Astral, dentro do Terreiro:

 

1º-      Sua mente estará sempre ocupada com pensamentos e mentalizações positivas, evitando se deixar levar pelo cotidiano ou mesmo por pensamentos e fixações negativas;

2º-      Sua mente estará criando condições que propiciem a criação de energias de teor positivo que fatalmente agirão sobre ela, seu corpo físico e seu estado psíquico;

3º-      Pelo efeito das duas vantagens anteriores, sua Aura estará sendo relaxada, mais expandida, o que o fará mais propenso, pela sensibilidade nesse caso, tanto a incorporações menos traumáticas, menos “sacolejadas”, como mais seguras, ocorrendo o mesmo no caso de vidência e clariaudiência;

4º-      Como sua mente vai estar voltada para criações de imagens de teor positivo, mesmo com o relaxamento de sua Aura as entidades de menor evolução terão dificuldade ou mesmo ficarão impossibilitadas de nela penetrarem, o que por si só, já será um filtro contra o Baixo Astral;

5º-      Sua mente estará sendo trabalhada em cada sessão, por você mesmo, ainda que não perceba de imediato, para focalizar planos e energias de cada vez mais alto teor vibratório, o que equivale a dizer que estará ampliando seu Padrão Vibratório e, nesse caso, sintonizando-o pouco a pouco com Energias e Entidades pertencentes a níveis superiores de Evolução.

 

É claro que essa sintonia com os níveis superiores não se dará “da noite para o dia” , como se costuma dizer, levará mais tempo ou menos tempo, de acordo com seu próprio esforço. Mas nunca é tarde para se começar até porque, às vezes, mesmo sem o sabermos, já estamos na metade do caminho, ou mais.

A mediunidade de incorporação, talvez seja a forma mais passiva de contato com entidades e energias do Plano Astral porque, nessa técnica, para que a incorporação seja a melhor possível, o médium deve basicamente focalizar sua mente na falange ou entidade que pretende que incorpore e relaxe o máximo possível. Todo o restante é feito pela entidade que chega e vai tomando os pontos a serem comandados: respiração, pernas, braços, mente, voz e outros. Por ser uma forma de contato passiva, o médium tem que confiar em si mesmo e na entidade que se aproxima lhe entregando de corpo e mente.

Com o passar do tempo e o melhoramento da sensibilidade mediúnica, não só o desenvolvedor mas todas as entidades que com você vierem a trabalhar, ao se achegarem emitirão sinais particulares para que você os possa identificar. Por exemplo: algumas entidades chegam cantando seus Pontos ao seu ouvido. Já outras além do Ponto Cantado ou mesmo sem ele, se utilizam de sensações específicas no corpo material do médium e, dessa forma, alguns lhes assobiam no ouvido ou nos ouvidos, outros lhes dobram um certo dedo da mão, outros lhe dão uma pontada em uma outra região do corpo, enfim, se utilizam de sinais que para eles e o médium se tornam característicos de suas presenças. O médium reconhecendo esses sinais característicos, e neles confiando, passa a criar em si condições que propiciem à entidade uma boa incorporação, relaxando e voltando sua atenção totalmente para aquela que se achega.

Você deve saber que médiuns, principalmente os de mediunidade kármica, costumam ter à sua volta um grupamento de espíritos e/ou elementais com os quais já se comprometeu a trabalhar, antes mesmo do reencarne. Acontece que nesses casos, quando o médium, ou está atrasado no cumprimento de seu Karma ou mesmo por ansiedade dessas próprias entidades, ao chegar no Terreiro, é quase que “invadido” por uma ou mais de uma entidade que “quer logo garantir seu lugar”.

Pode parecer brincadeira mas não é! Pode acontecer uma situação dessas, e há vezes em que mais de uma entidade tenta “entrar” na faixa vibratória disponível desse médium ao mesmo tempo. Como nem ele nem essas entidades têm ainda treinamento para fazê-lo, acabam por provocarem esse choque de vibrações com violentos choques na matéria, sacolejos e mesmo os tombos que acontecem, mesmo que você não acredite, de ambos os lados (médium e entidades).

Nesse caso, as entidades praticamente se “trombam” na ânsia de assumirem um lugar ou se definirem como presentes. Pela inexperiência dessas entidades em flexibilizarem seus padrões vibratórios ou a densidade de seus Corpos Astrais, acabam as duas, criando o choque de Auras que além de afetar o médium acaba por afetá-las da mesma forma.

Em casos como esse, cabe ao Dirigente do Terreiro ou ao Chefe Espiritual, a doutrinação dessas entidades no intuito de ensiná-las que não pode ser dessa forma. Claro que médiuns que sofrem esse problema têm que ser melhor assistidos pelo seu Dirigente até que a “demanda” do outro lado se resolva e todos possam chegar em paz.

O problema maior, na maioria dos terreiros, às vezes, está na forma do desenvolvimento das faculdades mediúnicas, pois constantemente vemos vários dirigentes de terreiros induzirem pessoas portadoras de determinados desequilíbrios a desenvolverem sua mediunidade. Esse conselho é muito utilizado por aqueles que não têm um conhecimento estruturado sobre o assunto.

Nesses casos, a prudência aconselha que se faça um tratamento espiritual, com afirmação em valores morais sólidos, afim de o companheiro em questão, possa se fortalecer espiritualmente, pois sua mediunidade guarda a característica de ser atormentada, se encontrando muitas das vezes, obsedado por espíritos que, em alguns casos, querem se vingar de um passado onde tiveram experiências em comum. Sendo assim, não se deve desenvolver algo que esteja enfermo, é preciso reequilibrar suas energias, para depois assumir o compromisso na área mediúnica, se é que este realmente exista.

Outro problema é o costume de alguns dirigentes de terreiro, fazerem uma espécie de preparação com seus “filhos”, raspando-lhes a cabeça ou firmando seu Santo ou seu Orixá regente. Esse costume se reporta mais aos cultos africanos e não propriamente dito a Umbanda. Mas mesmo sabendo disso alguns companheiros, que guardam em seus trabalhos raízes nesses cultos, continuam, algumas vezes, com alguns costumes.

Nós umbandistas devemos reconhecer que a verdadeira preparação para um bom desenvolvimento mediúnico, é a elevação da nossa vida moral, esse sim é um dos valores indispensáveis em qualquer caminho que um filho de Deus se encontre, e que sempre baseados nas Leis da Caridade e do Amor, possamos seguir firmes nos objetivos elevados propostos pelos mentores espirituais da Umbanda.

A Umbanda crê que o médium tem o compromisso de servir como um instrumento de guias ou entidades espirituais superiores. Para tanto, deve se preparar através do estudo, desenvolvendo a sua mediunidade, sempre prezando a elevação moral e espiritual, da aprendizagem conceitual e prática da Umbanda, sempre respeitando os guias e Orixás; ter assiduidade e compromisso com sua casa, ter caridade em seu coração, amor e fé em sua mente e espírito, e saber que a Umbanda é uma prática que deve ser vivenciada no dia-a-dia, e não apenas no terreiro.

Uma das regras básicas da umbanda é que a mediunidade não deve ser vista ou vivenciada vaidosamente como um dom ou poder maior concedido ao médium, mas sim como um compromisso e uma oportunidade que lhe foi dada para resgate kármico e expiação de faltas pregressas antes mesmo da pessoa reencarnar. Por isso não deve ser encarada como um fardo ou como uma forma de ganhar dinheiro, mas como uma oportunidade valiosa para praticar o bem e a caridade.

Existe médiuns que acabam distorcendo o verdadeiro papel que lhes foi dado e se envaidecem, agindo de forma leviana em suas vidas. O médium deve tangir sua vida como sendo um mensageiro de Deus, dos Orixás e Guias. Ter um comportamento moral e profissional dígnos, ser honesto e íntegro em suas atitudes, pois do contrário acabará atraindo forças negativas, obsessores ou espíritos revoltados que vagam pelo mundo espiritual atrás de encarnados desequilibrados e que estejam na mesma faixa vibracional que eles.

Por isso, desenvolver a mediunidade é um processo que deve ser encarado de forma séria e regido através de um profundo estudo da religião seguido por conceitos morais e éticos. Ser orientado e iniciado por uma casa que pratica o bem é essencial. As pessoas que são médiuns e tem o trabalho mediúnico como missão, devem levar sempre isso muito a sério, ter muito amor e dar valor ao que fazem, tendo sempre boa vontade nos trabalhos de seu terreiro e na vida diária.

Mediunidade é coisa séria e participar de uma corrente mediúnica, mais ainda, é preciso que entendam seus deveres e obrigações e faça cada um a sua parte, e que sejamos consientes de que nem todos somos médiuns de incorporação, e não é porque não estamos trabalhando incorporados que não devemos ser atentos aos deveres que nos competem.

O médium deve tomar, sempre que necessário, os banhos de descarrego adequados aos seus Orixás e Guias, estar pontualmente no terreiro com sua roupa sempre limpa, conversar sempre com o chefe espiritual do terreiro quando estiver com alguma dúvida, problema espiritual ou material.

Bem, acreditamos que você agora já tenha uma idéia mais clara do que é e como funciona a mediunidade, e passa também ver como é importante que você faça a sua parte, buscando a cada dia, a cada seção, a cada aprendizado melhorar sua ligação vibracional com o mundo astral.

 

1-       Fotografia Kirlian – "Kirliangrafia" ou, num termo mais moderno, bioeletrografia, é o método de fotografia descoberto pelo padre Landell de Moura em 1904. Sob a designação de "O Perianto", ele descrevia minuciosamente os efeitos eletro-luminescentes do que muitos acreditam ser a aura humana. Ele não pôde seguir adiante em sua pesquisa, parando-a em 1912, por questões doutrinárias da Igreja Católica, já que a técnica poderia revelar o que ele chamava de perianto, termo semelhante ao perispírito, usado pelos espíritas.

2-      Chakras – são, segundo a filosofia ioga, canais dentro do corpo humano (nadis) por onde circula a energia vital (prana) que nutre órgãos e sistemas. Existem várias rotas diferentes e independentes por onde circulam esta energia. Os chakras são os pontos onde essas rotas energéticas estão mais próximos da superfície do corpo. Na Doutrina Espírita os chakras são chamados de Centro de Força.


 

Todo ser humano, de alguma forma, é intermediário das inteligências desencarnadas, ou seja, dos espíritos. O que acontece é que, muitos julgam por mediunidade apenas as questões relativas aos fenômenos mais aflorados, mas segundo a concepção espírita, todos somos, invariavelmente, médiuns, pois de alguma forma sofremos as influencias externas, ou influenciamos alguém.

Nos templos de Umbanda é comum encontrarmos médiuns de todos os graus, todos dando muita atenção ao dom oracular, ou seja, o dom da incorporação, incorporando um mentor espiritual e através de seus conselhos e ensinamentos podendo então, ajudar seus semelhantes. Mas as manifestações mediúnicas não se restringem somente as incorporações, vejamos então, algumas das principais formas de manifestação mediúnica:

 

·           Médiuns Sensitivos ou Impressionáveis: São chamadas assim as pessoas suscetíveis de sentir a presença dos Espíritos, por uma vaga impressão a qual nem sempre sabem explicar, essa faculdade mediúnica é indispensável para o desenvolvimento das outras. Esta sensibilidade é derivada da glândula pinear que fica localizada no mesocéfalo, na junção entre o celebro e a espinha dorsal.

·           Médiuns de Efeito Físico: São aqueles particularmente aptos a produzirem fenômenos materiais como, o movimento de corpos inertes, a produção de ruídos, etc… São divididos em Facultativos, aqueles que têm a consciência de sua mediunidade e produz os fenômenos por sua vontade e os involuntários ou naturais, são aqueles que a mediunidade exerce sem que eles saibam, eles não têm consciência dos fenômenos que ocorrem.

·           Médiuns Audientes: São aqueles que ouvem a voz dos espíritos, que às vezes se fazem ouvir como uma voz interior e em outras como uma voz exterior, clara e distinta, qual a de uma pessoa encarnada.

·           Médiuns Falantes: Neles o Espírito atua nos órgãos da palavra, geralmente o médium falante se exprime sem ter a consciência do que diz, embora se ache perfeitamente acordado e em seu estado normal, e outros em estado sonambúlico ou próximo ao sonambulismo. Essa faculdade mediúnica, quase sempre, é efeito de uma crise passageira, por isso há de se ter muito cuidado para não confundi-la com a imaginação.

·           Médiuns Videntes: São aqueles que têm a faculdade de ver os espíritos.Essa faculdade é raramente permanente, quase sempre é efeito de uma crise momentânea e passageira. Eles acreditam ver com os olhos, mas na realidade é a alma quem os enxerga, e é por isso que ele vê tão bem tanto com os olhos abertos ou fechados.

·           Médiuns Escreventes ou Psicógrafos: São aqueles que têm aptidão para obter a escrita direta dos espíritos, de todos os meios de comunicação espírita, esse é considerado pelos espíritas o mais simples e mais cômodo.

 

No movimento umbandista, as entidades normalmente se manifestam pela Incorporação ou pela Radiação Intuitiva, onde o médium recebe as mensagens das entidades por meio da intuição, sem a necessidade da incorporação, sedo a incorporação a modalidade mediúnica mais utilizada. Isso porque trazem as comunicações da “boca” dos próprios espíritos, ou seja, eles estão presentes no momento das manifestações, próximos aos médiuns, dando mais confiabilidade nas comunicações, já que podemos “ver” o espírito manifestado, reconhecendo-o através de seus próprios movimentos, ações, voz, etc, que se diferem totalmente das do médium, mostrando assim sua individualidade, o que possibilita o fortalecimento dos laços entre o espírito e o consulente.

As incorporações dividem-se em Inconsciente e Semiconscientes, isso de acordo com o grau de intervenção do médium. Na Incorporação Inconsciente, o espírito do médium se afasta e deixa que o espírito comunicante “assuma” o seu corpo físico, assim o médium não interfere na comunicação, mesmo seu espírito estando às vezes, consciente no plano astral. Já na Incorporação semiconsciente, o espírito do médium se afasta um pouco do corpo, mas mantém ligação consciente com ele, enquanto que o espírito comunicante assume as funções motoras do corpo físico do médium. A semiconsciência pode variar de intensidade, ou seja, o médium pode ter desde um grande grau de inconsciência ate um grau quase total de consciência. O médium, neste caso, tem enquanto dura a manifestação, alguns lampejos de consciência, mesmo assim, na maioria das vezes, após a manifestação ele não se lembra de nenhum fato ocorrido durante a mesma.

Há de se ressaltar um fato que é muito importante, na incorporação o espírito comunicante não entra no corpo físico do médium, mas apenas toma as rédeas da situação, controlando o corpo físico com ou sem intervenção do médium, o espírito se aproxima do corpo, mas não o toma ou entra nele.

As ligações mediúnicas entre o espírito e o corpo físico do médium são efetuadas através do períspirito, ou corpo astral do médium, e para isso usam os chacras correspondentes a sua linha de atuação. Quando a entidade incorpora ou nos momentos pré-incorporativos, o médium sente uma mudança no seu campo vibracional, e é assim que consegue, com o tempo e experiência, distinguir uma entidade da outra, pois as vibrações energéticas de cada entidade se diferenciam uma das outras.

Em geral, a natureza das comunicações está sempre relacionada com a natureza moral do espírito e do médium, trazendo aí o cunho de sua elevação ou de sua inferioridade, de seu saber ou de sua ignorância. Também há de se observar que as comunicações de um espírito também são mais ou menos perfeitas, por tal ou qual intermediário de acordo com suas simpatias, baseados nisso, simplesmente é um erro querer obter, mesmo de um bom médium, boas comunicações em todos os gêneros mediúnicos conhecidos. É bom certificar-se sempre das qualidades morais do espírito que as transmitem, bem como das qualidades do médium, visto que este é o instrumento do qual se serve o espírito.


 

Algumas pessoas, por falta de esclarecimento e ignorância dos fatos, infelizmente classificam, erroneamente e de maneira pejorativa, a Umbanda como “baixo espiritismo” ou mesmo como parte do próprio espiritismo. Podemos afirmar que o que as duas doutrinas têm em comum é o desejo de ser útil ao mesmo Senhor, embora com formas de trabalhos que na experiência são diferentes, mas no fundo, se integram na ação fraterna.

A Umbanda, em seus fundamentos, não tem nada a ver com o espiritismo, o que não é bem esclarecido nos meios umbandistas e espíritas. Começa aí a confusão, toma-se o nome “Espírita” como se ele designasse todas as expressões de mediunismo, e assim foi se descaracterizando muito a Umbanda. Por outro lado, Espíritos têm baixado ao mundo com a missão de esclarecer, e de certa forma, dar um corpo doutrinário a Umbanda, mas são ignorados por muitos adeptos.

A Caridade é a Lei Universal, e nós que trabalhamos nas searas umbandistas, devemos ter nela um guia infalível para o desenvolvimento de nossas atividades, assim como todos os Centros Espíritas que dizem adotar a codificação de Kardec não são, na realidade, espíritas, também muitas Tendas e Terreiros não representam os verdadeiros conceitos da Umbanda.

Podemos notar que muitos umbandistas permanecem ainda ignorantes das verdades e dos fundamentos de sua religião, baseados nisso temos que trabalhar unidos pelo bem e esperar, que o tempo haverá de corrigir todos os equívocos através da experiência que vivenciamos no dia-a-dia.

Há de se lembrar que o mundo espiritual é habitado pelos espíritos, seres inteligentes da criação, imateriais, que mantêm sua individualidade e assim têm formas de pensar diferentes, formando então, grupos de afins. Mesmo assim, podemos observar espíritos, de diversos grupos, trabalharem em conjunto, unidos nos trabalhos de cura e desobseção, mas o fato de trabalharem juntos não os faz robôs, como já dissemos, eles não pensam de maneiras iguais, guardam sempre a sua opção íntima. Nisso está a verdadeira fraternidade, que nos amemos uns aos outros e respeitemos as convicções pessoais, pois se os métodos de trabalhos se multiplicam ao infinito, o senhor da vinha permanece um só, Jesus, ou como nós o chamamos “Oxalá”.

O espiritismo é a doutrina codificada por Allan Kardec e inaugurada na Terra em 18 de abril de 1857, na França, e que tem o objetivo de estudar as Leis Espirituais que regem os dois mundos, e os princípios superiores da vida. Esse estudo forneceu a chave que explicou cientificamente, tanto a religião nativa quanto os cultos africanos, pois explicou a possessão como incorporação dos Espíritos em pessoas dotadas de tal faculdade mediúnica.

A Umbanda embora seja uma religião de caráter mediúnico, não é espiritismo, nem alto e muito menos baixo, assim como não podemos dizer que a Umbanda e o Candomblé sejam a mesma coisa, mesmo assim alguns umbandistas se denominam “Médiuns Espíritas tal” ou falam “Tenda Espírita tal”. Sabemos que a palavra “Espírita” ou “Espiritismo” foi criada por Kardec para designar a Doutrina Codificada pelos Espíritos, no entanto aqui no Brasil, talvez por falta de orientação, as pessoas tomaram emprestado o termo “Espírita” e passaram associá-lo e designá-lo a toda manifestação mediúnica, essa confusão se estabeleceu por causa da desinformação por parte do povo, que devida à divulgação da Doutrina Espírita, aproveitaram e tentaram unir as duas expressões “Umbanda” e “Espírita”, embora sejam distintas uma da outra.

A Umbanda é uma religião sincrética, pois fundiu quatro culturas religiosas, criando uma quinta bem distinta, pois não podemos dizer que a Umbanda é “Culto de Nação”, ela também não é “Pajelança”, não é “Espiritismo” e tão pouco “Cristianismo”, é simplesmente Umbanda, é uma religião criada e arquitetada para combater o mau uso das forças negativas, a magia negra, e com bases sólidas na Caridade, esclarecer e instruir os homens, e para isso cultua e trabalha utilizando todos os recursos oferecidos pelas energias magnéticas das forças da natureza, personificadas e representadas através dos Orixás, seus médiuns utilizam roupas brancas, como uniformes, colares em alguns casos, banhos energéticos, e todo um instrumental para canalizar essas energias psíquicas em seus trabalhos.

Embora trabalhem com expressões do mundo espiritual, seus métodos de trabalho se diferem, pois se baseiam em ensinamentos diferentes, mesmo que, algumas vezes, os umbandistas recomendem os livros espíritas, que servem somente para um esclarecimento sobre as questões do Mundo Espiritual e suas relações com o Mundo Material, suas doutrinas e bases são distintas, contudo, reina as Leis do Amor, do Respeito e da Caridade, as quais devem ser sempre a base para reger as relações entre a grande família espiritual.


 

Desde a mais longínqua antigüidade o ser humano sempre tentou alcançar as benesses de seres superiores, seus deuses, através de presentes que julgavam ser do agrado destes.

Sem entrar muito profundamente na história de cada religião, podemos ver alusões a oferendas, inclusive com matança de animais até mesmo no chamado Antigo Testamento, tendo sido inclusive o fato de Jeová não ter aceito a oferenda de Caim tão bem quanto aceitou a de Abel o que desencadeou no ciúme, inveja e posterior assassinato de um pelo outro.

É certo também que com o passar dos tempos, muitos hábitos antes tidos como fundamentais, foram se modificando em todas as Religiões e Seitas, baseados na pressuposição de que não teriam real fundamento porque o Deus que procuravam não poderia mais ser ligado a presentes materiais como os que então eram oferecidos.

Aprendemos que se entidades que não chegam a serem deuses, por não terem alcançado um nível evolutivo maior, já não se prendem às coisas materiais, que dirá um Deus ou mesmo um "Orixá", seja ele quem for. Por que então as oferendas na Umbanda? Por acaso não seria para alcançar as benesses dos Orixás e do próprio DEUS? Sabendo que os Orixás são irradiações puras do criador e não necessitam dessas oferendas, então quem realmente as recebe? Quem as recebe são entidades conhecidas como Elementais da Natureza, também conhecidos por Espíritos da Natureza.

Os Elementais podem ser compreendidos, sob uma definição laica, como seres, criaturas físicas ou espirituais, que habitam os quatro reinos da natureza (água, fogo, terra e ar) e podem exercer influência sobre os seres vivos. Elementais também é o nome dado em algumas religiões a todo e qualquer espírito existente na natureza segundo a crença no “Animismo”1. Também são conhecidos como personagens fictícios, que representam a natureza e que seriam capazes de controlar seus elementos e os representar. São eles:

 

·           Silfos – os elementais do ar;

·           Salamandra – os elementais do fogo;

·           Ondinas – os elementais da água;

·           Gnomos – os elementais da terra.

 

O trato com Elementais pode ser perigosíssimo para os que não sabem se precaver, e é por isso mesmo que na Umbanda, o trato com esses seres é feito através daqueles que realmente sabem e podem, com segurança, determinar junto a eles as diretrizes desse ou daquele trabalho.  Não é que seja tão difícil entrar em contato com eles, o problema está, principalmente, na tendência dos humanos quererem fazer desses seres os seus "geninhos particulares", pensando que são mais inteligentes e podem comprá-los com as oferendas que colocam em certos lugares sem se preocuparem com mais nada. Em casos assim eles podem transformar-se em obsessores difíceis de serem afastados.

Que fique bem claro que os Elementais são amplamente utilizados em trabalhos de magia tanto positiva quanto negativamente por entidades astrais. Quando uma entidade pede uma oferenda para a realização deste ou daquele trabalho, pode estar certo de que a menos que ela seja um "quiumba", um espírito elementar em evolução, estará solicitando a mesma para que possa atrair e comandar certos elementais que têm ação direta sobre o tipo de trabalho a ser executado. Que fique bem claro que Entidade espiritual que já passou por um processo evolutivo não precisa comer nem beber, muito menos de sangue de animais sacrificados, já os Elementais e certos Espíritos Elementares (quiumbas e certos obsessores) sim, pois pertencem a um nível astral quase que igual ao nosso e na verdade o que fazem é absorver a energia que emana desses elementos a eles oferecidos e não da matéria propriamente dita.

Quanto às oferendas utilizadas na Umbanda são oferecidas exatamente na intenção de liberarem ou como forma de canalizarem certas energias, que por sua vez serão absorvidas e usadas para a realização do trabalho proposto.

Quanto aos sacrifícios de animais, sabemos que é muito utilizado nos rituais de "troca de cabeça", como são conhecidos nos dias de hoje, esse tipo de ritual era utilizado por civilizações tão antigas que já foram até extintas; e em muitos casos até com o sacrifício de vida humana para que as "divindades", em troca, lhes proporcionassem bens nas mais variadas situações de vida. Hoje em resumo, esse ritual é utilizado para tirar de alguém certo mal, através da transferência da atuação que essa pessoa esteja sofrendo, para um animal de duas ou quatro patas que, segundo a regra, deve ser sacrificado a seguir para que sua energia vital possa ser absorvida pelos elementais ou obsessores, nesse caso verdadeiros vampiros, que atuavam no ser humano. Esse é um tipo de ritual perigosíssimo por colocar o médium e consulente em contato direto com as formas elementais do mais baixo grau.

Sabemos que essas oferendas podem ser representativas ou “votivas”2. Nós umbandistas não somos contra as oferendas, mas sim com o tipo e o excesso delas. Pois existem médiuns e assistentes dentro da Umbanda que acreditam piamente que só através de oferendas é que conseguirão os seus objetivos e fazem isto com tanto freqüência e fé que acabam “viciando” nesta prática a si mesmo e a entidade ou entidades oferendadas. Deveriam saber que com uma simples oração, conseguiriam seu intento, mas não o consegue por não estar habituado a fazer as coisas de maneira simples e espiritualizada, ou seja, precisa da matéria, de uma muleta psíquica para canalizar sua fé.

É claro que em determinados momentos elas são necessárias, mas não devem fazer parte do dia-a-dia do médium ou do consulente. Devem ser orientadas, explicadas e justificadas. Antes de mais nada, um verdadeiro umbandista deve sempre se preocupar em não poluir os reinos da natureza, considerar sempre a lógica e não esquecer de que a Umbanda considera a natureza como manifestação de Deus na terra, por tanto tem o dever preservá-la.

Um grande Caboclo dirigente de um terreiro de Umbanda ao sempre se deparar com médiuns e assistência lhe perguntando sobre qual oferenda se deveria entregar no dia de determinado Orixá, resolveu então passar uma receita básica que pode ser utilizada para qualquer Orixá ou Entidade. Vamos a ela:

 

Material necessário:

·      01 pacote de amor, em pó, para que qualquer brisa possa espalhar entre as pessoas que estiverem perto ou longe de você;

·      01 pedaço (bem generoso) de fé, em estado rochoso, para que ela seja inabalável;

·      Algumas páginas de estudo doutrinário, para que você possa entender as intuições que recebe;

·      01 pacote de desejo de fazer caridade desinteressada, em retribuição, para não "desandar" a massa.

 

Modo de Preparo:

Junte tudo isto num alguidar feito com o barro da resignação e determinação e venha para o terreiro.

Coloque em frente ao Gongá e reze a seguinte prece:

 

"Pai, recebe esta humilde oferenda dada com a totalidade da minha alma e revigora o meu físico para que eu possa ser um perfeito veículo dos teus enviados. Amém."

 

Pronto! Você acabou de fazer a maior oferenda que qualquer Orixá, Guia ou Entidade pode desejar ou precisar: Você se dispôs a ser um MÉDIUM!”

 

1-       Animismo [do latim anima + ismo] – Teoria que considera a alma simultaneamente princípio de vida orgânica e psíquica. O termo Animismo foi cunhado pelo antropólogo inglês Sir Edward BI. Tylor, em 1871, na sua obra Primitive Culture (A Cultura Primitiva). Pelo termo Animismo, ele designou a manifestação religiosa na qual se atribui a todos os elementos do cosmos (Sol, Lua, estrelas), a todos os elementos da natureza (rio, oceano, montanha, floresta, rocha), a todos os seres vivos (animais, árvores, plantas) e a todos os fenômenos naturais (chuva, vento, dia, noite) um princípio vital e pessoal, chamado de "ânima", que na visão cosmocêntrica significa energia, na antropocêntrica significa espírito e na teocêntrica alma. Consequentemente, todos esses elementos são passíveis de possuírem: sentimentos, emoções, vontades ou desejos, e até mesmo inteligência. Resumidamente, os cultos animistas alegam que: "Todas as coisas são Vivas", "Todas as coisas são Conscientes", ou "Todas as coisas têm ânima".

2-       Votivo (a): aquilo que é oferecido em cumprimento a voto, promessa.

 


 

Muitas pessoas necessitam, ainda, de algo que funcione como muletas psicológicas, a fim de desenvolverem seu potencial. Mas na Umbanda o que acontece é bem diferente, o altar ou “gongá”, os objetos de culto e todo o simbolismo são utilizados visando compor o que as entidades chamam de “bateria magnética”, uma espécie de bateria psíquica que concentra as energias para as tarefas a serem realizadas.

A Umbanda como já vimos, lida com fluidos, às vezes, muito pesados, com magnetismo elementar e uma grande quantidade de pessoas que vem em busca desses recursos e devido à falta de informação não conseguem compreender seu verdadeiro objetivo e sua responsabilidade quanto a manutenção delas..

O “gongá” é uma verdadeira concentração de energia, nele são concentrados seus pensamentos, suas orações, suas criações mentais mais sutis. Então quando os mentores espirituais precisam de uma cota de energia maior para a realização de determinadas atividades, recorrem a esse “depósito de energia”, mas o gongá é também um imenso reservatório de ectoplasma, força nervosa grandemente utilizada devido à natureza dos trabalhos.

Os cânticos ou “pontos cantados” também têm um profundo significado dentro dos rituais da Umbanda, usados não só para a invocação dos “guias”, ou mentores espirituais, e para a identificação dos mesmos quando estes se manifestam, servem também como condensadores de energia, é uma espécie de mantra, palavras consagradas por seu alto potencial de captação energética, e de acordo com o ponto cantado, uma imensa quantidade de energia vai se formando e se aglutinando na psicosfera ambiente, esta que depois é absorvida pela aura dos que ali se encontram, além de se agregarem em torno do gongá.

Seguindo o mesmo processo, também temos os chamados “banhos de descarrego”, tão receitados pelas entidades, sabemos bem do poder das ervas e de seu magnetismo, que quando utilizados adequadamente podem operar verdadeiros prodígios, gerando equilíbrio e harmonia. As plantas guardam, em seu estado de evolução, muita energia e vitalidade, os raios do sol que são absorvidos no processo da fotossíntese, formam uma aura particular em cada família do reino vegetal, que se associa ao próprio quimismo da planta, que quando são colocadas em infusão transmitem à água todo o seu potencial energético, curador e reconstituinte.

Quando o adepto toma o banho com a mistura de determinadas ervas, todo o magnetismo que ali está associado provoca em alguns casos, um choque energético ou uma reconstituição das camadas mais externas de sua aura. Na verdade, isso não tem nada a ver com o misticismo, é puramente científico. Sob a influência abençoada das ervas, muitos benefícios tem sido alcançados por inúmeras pessoas. Na atualidade, muitos cientistas deram sua contribuição com a descoberta dos florais, que obedecem ao mesmo princípio terapêutico dos chás e banhos de ervas.

Nas defumações, empregadas na Umbanda, o princípio é o mesmo, mas em lugar de empregar as ervas em infusão, elas são queimadas, e na queima, suas propriedades terapêuticas são transmitidas e utilizadas de forma energicamente pura, ou seja, o fogo, a combustão, transforma a matéria em energia, isto é a lei da física, e quando determinada erva é queimada, sua parte fluídica ou etérea se concentra aliando-se ao seu potencial próprio o potencial da parte física que se transforma em energia no momento da combustão, o produto obtido aí, aliado ao fluido energético dos espíritos que sabem manipular tais recursos. Neste caso, também não se trata de misticismo, mas de puro conhecimento de certas propriedades dos elementos vegetais, animais e minerais a serviço do bem.

Podemos observar que todas essas energias são utilizadas para desestruturar as criações mentais inferiores que se encontram nas auras dos adeptos. Mas para muitos, tudo isso significa apenas uma forma de adorar ou de se prestar culto às forças da natureza, ou um elo de ligação e união com os guias e mentores espirituais. Por isso que nós umbandistas temos a necessidade de cada vez mais nos esclarecer sobre as questões de nossa religião para compreendermos as leis que regem as atividades da espiritualidade e para não continuarmos na ignorância do que ocorre transformando tudo em misticismo.


 

A Umbanda, como já vimos, tem no simbolismo um de seus fundamentos mais importantes e tem recorrido a ele desde sua fundação. O simbolismo está tão visível, que todas as entidades que trabalham na Umbanda são evocadas através de nomes simbólicos. Baseados também neste simbolismo os campos de trabalho são divididos em linhas vibracionais, conhecidas como “As Sete Linhas da Umbanda”.

Todas as Escolas Iniciáticas sempre consideraram o sete como um número cabalístico e sagrado, por isso ele está sempre presente em toda sua simbologia. O Sete também é considerado o número da “expansão e centralização” da unidade, pois é formado da soma do ternário com o quaternário, resultando no “Setenário Sagrado”.

Para entender um pouco mais a Umbanda devemos conhecer suas linhas ou campos vibracionais, que são na verdade sete irradiações divinas onde cada qual flui em um grau vibratório próprio e dá sustentação a vida. Mas para isso comecemos por esquecer de conformar DEUS a um senhor de barbas, e vê-lo simplesmente como “a forma energética primeira” da qual se formaram todas as coisas e seres existentes.

Tudo no Universo é energia em estado de maior ou menor densidade e com diferentes formas de montagens de seus átomos e moléculas. Após a chamada Criação, o DEUS UNIVERSAL, ou essa energia primária, continuou a se desdobrar em uma infinidade de energias que circulam por todo o Universo criado e não só pelo planeta Terra, que não é nem nunca foi seu centro.

Se uma energia mãe se desdobra, sempre há as primeiras energias que partem dela e que depois também vão se desdobrando, interagindo e formando outros tipos de energia. Para você entender melhor visualize o gráfico abaixo:

 

 

 

Podemos observar que se trata de um gráfico que representa a refração da luz solar através de um prisma, onde ao passar pelo prisma, a luz, anteriormente branca, se decompõe em diversas outras cores sendo que as sete visíveis para nós estão aqui representadas.

As três primeiras cores que se formam são as que conhecemos como cores primárias, indivisíveis, que são o AZUL, o AMARELO e o VERMELHO. Todas as outras se formam pela ação dessas três cores umas sobre as outras. Dessa forma o VERDE é composto pelo amarelo com o azul, o LARANJA é formado pela soma do amarelo com o vermelho, o VIOLETA é formado pelo vermelho com o azul.

Assim como a luz ou a energia do Sol supõe-se que essa energia mãe em seu processo de desdobramento decompõe-se primeiramente em três energias primárias que posteriormente por interações geram mais quatro energias que voltam a interagir entre si e entre as primárias gerando outras energias. Tudo isso é para que você entenda o que é um Orixá e como ele é visto pela Umbanda.

Se fizermos uma analogia entre as cores da refração solar e as energias primeiras que se supõe serem geradas pelo Criador, as sete primeiras energias seriam os “Sete Primeiros Orixás” gerados, ou os “Sete Raios” como são chamados em outras filosofias, ou as “Sete Vibrações Originais”.

Cada Linha ou Vibração, ali representada, equivale a um grande exército de espíritos afins que rendem “obediência” a um “Chefe” ou um Líder, o qual representa para nós um Orixá ou Energia da Natureza, e cabe a ele uma grande missão no espaço. Esse verdadeiro exército se subdivide em sete grandes Legiões, que por sua vez se divide em sete Falanges, que se subdivide em sete subfalanges e assim por diante, sempre cada qual com seu respectivo “comandante”.

Este assunto, como a maioria na Umbanda, é muito controverso, pois como sabemos, a Umbanda é formada por diversas correntes de pensamento, cada qual com sua Doutrina e Fundamentos bem específicos. Todavia, na sua manifestação mais popular sabemos que os “Falangeiros” ou “Chefes das Falanges” são espíritos evoluídos que representam diretamente os Orixás, suas forças são a emanação pura de suas energias. Sendo assim, quando incorporados, mostram sua presença e sua força através de uma roupagem fluídica que os representem. Suas irradiações divinas alteram nossos sentimentos e nosso padrão vibratório, estimulando em nós sentimentos nobres e virtuosos.

Os “Falangeiros” se agrupam em Linhas ou Falanges que são conhecidas como as Sete Linhas da Umbanda, onde temos:

 

1ª –  Linha de Oxalá: Que representa o princípio a Fé, o reflexo de Deus, o verbo solar. É a luz refletida que coordena ou se desdobra nas demais vibrações em suas manifestações na terra, por tanto não temos incorporações de falangeiros de Oxalá na Umbanda, pois todos somos filhos Dele. Suas irradiações da Fé nos estimulam a Religiosidade.

2ª –  Linha de Yemanjá ou Linha do Povo D’água: Representa o Amor e a Geração. Também trabalham nesta Linha as Orixás Oxum e Nanã (Originalmente um Nkise  que foi incorporada no panteão dos orixás iorubás aqui no brasil). Suas irradiações de geração e de amor nos estimulam a maternidade, a fecundação e as uniões tanto carnais quanto materiais.

3ª –  Linha de Oxóssi: Representa o Conhecimento, a Fartura e o Trabalho. Suas irradiações do conhecimento nos estimulam o raciocino. Suas falanges trabalham na doutrinação dos irmãos sofredores e na cura através da medicina herbanária.

4ª –  Linha de Xangô: Representa a Justiça. É a linha que coordena as Leis kármicas. Suas irradiações da Justiça nos estimulam a razão.

5ª –  Linha de Ogum: Representa a Lei. É a linha mediadora que controla os choques conseqüentes da Lei do kárma e as demandas da fé, das aflições, das lutas e batalhas da vida. Suas irradiações da Lei nos estimulam a Ordem.

6ª –  Linha de Omulú/Obaluayê ou Linha do Oriente: Representa a Evolução e a Saúde. Suas irradiações da Evolução e da Saúde nos estimulam o equilíbrio. Nem todos os espíritos que trabalham nesta Linha são oriundos do povo ori­ental, ela abri­ga as mais di­ver­sas entidades, que a princípio não se encaixavam na matriz formadora da Umbanda, a falange dos Médicos é um exemplo delas.

7ª –  Linha de Iansã ou Linha das Almas: Representa a Maturidade, Humildade e a Bondade. É comandada por Iansã auxiliada por Omulú. Esta linha, como os próprios valores expressam, é composta dos primeiros espíritos que foram ordenados a combater o mal em todas as suas manifestações. Eles são a Doutrina e a Filosofia, em fundamentos e ensinamentos. São os senhores da magia e da experiência adquirida através de seculares encarnações.

 

Temos também o cruzamento dessas Falanges, onde temos determinadas as qualidades dos “Falangeiros”. Vejamos alguns exemplos:

 

·           Ogum Delê ou Delei é um Falangeiro de Ogum que trabalha na Linha de Oxalá;

·           Ogum Beira-Mar, Ogum Sete Ondas, Ogum Iara são Falangeiros de Ogum que trabalham na Linha das Águas;

·           Ogum Megê, Ogum Sete Espadas são Falangeiros de Ogum que trabalham na Linha das Almas;

·           Ogum Rompe Mato é um Falangeiro de Ogum que trabalha na linha de Oxóssi.

 

Esses nomes simbólicos são um recurso utilizado pelas entidades na Umbanda para identificar qual nível vibracional atuam cada um desses espíritos e por qual Orixá ele é regido. Assim temos Falangeiros e entidades trabalhando em todas as Linhas, cada qual com seu nome e simbolismo próprio. Podemos observar várias entidades se identificando como: Caboclo Rompe Mato, Caboclo Pena Branca, Caboclo Cobra Coral, isso não quer dizer que é a mesma entidade ou o mesmo espírito, e sim entidades que trabalham em um mesmo campo vibracional.

Em alguns terreiros, por falta de conhecimento e vaidade, é corriqueiro acontecer de no templo já ter um Caboclo, ou um Preto Velho, ou um Exú manifestando-se com um determinado nome e caso um novo médium manifeste uma entidade que se identifique com o mesmo nome, o médium mais velho reage negando a veracidade da nova manifestação, pois se sente o “dono” de tal entidade, chegando as vezes a expulsar o novo guia tachando-o de mistificador, quiumba ou até mesmo um impostor.

Na Umbanda, os Falangeiros, guias ou protetores, e todas as entidades que fazem parte de sua corrente astral que trabalham dentro das Sete Linhas também são divididos em Linhas de Trabalho conhecidas como Linha da Direita e Linha da Esquerda, onde temos:

 

·           Linha de Direita: Os Falangeiros dos Orixás, os Pretos-Velhos, os Caboclos, os Boiadeiros, as Crianças, os Marinheiros, os Baianos e os Orientais.

·           Linha de Esquerda: O Povo de Rua, espíritos guardiões, que são os Exus, Pomba-giras, Ciganos e Malandros.

 

A Umbanda por ser considerada no Astral um Ritual de ação positiva à humanidade, atrai milhares de espíritos sedentos para trabalhar em suas searas em beneficio do próximo. Esses espíritos são doutrinados e dirigidos a uma das linhas de trabalho de acordo com seu campo vibracional, segundo a Lei das Afinidades. Sendo assim, nem todas as entidades que manifestam nos Terreiros como Pretos Velhos, por exemplo, foram necessariamente negros e escravos, como nem todos os Caboclos foram necessariamente índios, são apenas uma roupagem fluídica simbólica, uma homenagem a esses povos que contribuíram para a formação do povo brasileiro..

Os espíritos se utilizam desse simbolismo nas manifestações para afastar a vaidade dos médiuns, pois a eles, entidades, só interessam a caridade e o amor ao próximo, e não quem foram ou o que fizeram, ou até mesmo que título tiveram em suas encarnações passadas. Não se incomodam em manifestar-se de uma forma humilde e simples. Nesses grupos de espíritos não há distinção de raças, origem religiosa ou títulos terrenos, neles o que impera é a beleza da Alma, o valor do caráter. Amam a todos e sabem que a carne é somente um veículo transitório.

Uma gíra de Umbanda é uma verdadeira aula de humildade e desprendimento, o que a nós deve interessar saber é que todos tem algo a nos ensinar, independente de sua origem. Devemos ter a consciência de que eles nos auxiliam no que for permitido pela Lei Maior e no que for de nosso merecimento e não para suprir nossas futilidades.