UM PASSO CONTRA A INTOLERÂNCIA RELIGIOSA

Publicado: 18/03/2009 em UMBANDA - Diversos

     

O presidente do Tribunal de Justiça do Rio, desembargador Luiz Zveiter, aderiu hoje, dia 17, à Comissão de Combate à Intolerância Religiosa, criada há um ano com o objetivo de lutar contra a discriminação e garantir a todos o direito à liberdade de religião. O anúncio foi feito nesta terça-feira, após reunião com representantes da comissão, composta por evangélicos, judeus, muçulmanos, umbandistas, candomblecistas e organizações de defesa dos direitos humanos. O desembargador ouviu relatos de casos de perseguição religiosa, alguns deles envolvendo alunos em escolas públicas e a destruição de templos.

"O Tribunal de Justiça tem muito a contribuir. Vivemos muitos anos calados diante de fatos que levaram ao extermínio de milhões de pessoas. Acho que temos que fazer uma grande cruzada contra isso. Não é possível que uma criança seja discriminada por causa da sua religião. Cada um tem que ter a sua fé", afirmou o presidente do TJ.

Zveiter acolheu a proposta da comissão de promover cursos e seminários para magistrados a fim de discutir a intolerância religiosa, e prometeu fazer um levantamento no Judiciário do Rio do número de processos referentes à discriminação de crença. Ele indicou a juíza auxiliar da presidência, Sandra Kayat, para participar das atividades da comissão.

O desembargador sugeriu ainda que o Ministério Público estadual indique um promotor para atuar na comissão. A proposta foi feita ao procurador-geral de Justiça, Cláudio Soares Lopes, presente no encontro. "Não podemos deixar que isso prolifere. O Brasil é conhecido pela sua diversidade. Sou um defensor da idéia. Faremos tudo que estiver ao nosso alcance", prometeu o procurador.

A adesão do presidente do TJ à causa foi elogiada pelo interlocutor da comissão, Ivanir dos Santos. Ele disse que o grupo pretende criar um diálogo com o Judiciário fluminense. "O nazismo e o fascismo começaram assim. O Judiciário é o guardião de um Estado Democrático de Direito. Queremos esta parceria para discutirmos o tema num fórum de diálogo inter-religioso" , explicou.

Os representantes religiosos também consideraram um ato de coragem o fato de o presidente do TJ ter determinado a retirada de crucifixos do Órgão Especial e do gabinete da presidência do Tribunal, assim que assumiu, criando, inclusive, um espaço ecumênico.

O representante da Federação Israelita do Rio, Jackson Grossman, disse que integra a comissão em virtude da longa história dos judeus de luta contra a perseguição religiosa. "Há vários séculos lutamos e combatemos este tipo de manifestação. Estamos também integrando esta comissão dispostos a ajudar, pois nós sofremos este tipo de violência, de manifestações racistas e difamatórias, como a depredação de sinagogas", contou.

Segundo ele, a perseguição religiosa ocorre muitas vezes porque as pessoas ignoram as leis que proíbem o preconceito. Ele se referiu à Constituição Federal e à Lei 7.716/89, que regulamenta os crimes resultantes de preconceito, raça e cor, em especial o artigo 20, que penaliza a discriminação religiosa. "O momento é de trabalhar e informar que todos têm direito de ter a sua crença e que pode haver diversidade no Brasil", ressaltou.

Único órgão governamental até então membro da comissão, a Polícia Civil do Rio foi representada na reunião pelo delegado Henrique Pessoa. De acordo com ele, em um ano foram registrados cerca de 14 casos de intolerância religiosa. Pessoa disse que a Polícia do Rio tem feito uma série de atividades, de forma a resgatar o débito histórico do tempo em que apreendiam imagens afro-religiosas. Segundo o delegado, 180 policiais receberam treinamento em workshops a fim de tipificar adequadamente a intolerância religiosa nas ocorrências policiais.

Diane Kuperman e Jackson Grossman, da Federação Israelita do Rio, e Ivanir dos Santos, interlocutor da comissão, entregam ao presidente do TJ, desembargador Luiz Zveiter, o relatório do primeiro ano de luta contra a intolerância religiosa


Zveiter, o centro, e demais participantes da reunião

CLIQUE AQUI PARA ASSISTIR A MATÉRIA DO RJTV SOBRE O ENCONTRO

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comentários
  1. roselaine disse:

    Não sou de religião mas acredito e me acontecia algo meio estranho e fui em uma casa e fizeram um colar rosa pra mim.mas faz um ano .Gostaria de saber se preciso fazer algo ou continuo usando ele

    • Boa noite Roselaine; seria interessante vc perguntar a entidade q lhe deu a obrigação. Mas caso não queira mais usar ou achar q não é mais necessário, vc pode descarregar o mesmo em uma praia ou em um rio na água corrente.

      abç

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